O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, como última medida do seu governo, pediu um empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para reforçar o capital do Banco de Brasília (BRB). Ibaneis deixou o Pálacio do Buriti no sábado (28). O pedido foi formalizado por carta encaminhada ao Fundo. De acordo com o documento, o objetivo é "assegurar a continuidade de serviços financeiros essenciais, o apoio a políticas públicas e a preservação de condições adequadas de liquidez e capital do BRB".
A proposta vê carência de um ano e seis meses, com pagamentos semestrais. A remuneração deve seguir o CDI acrescido de spread, conforme condições a serem definidas pelo Fundo Garantidor.
Garantias
Para viabilizar o crédito, o Governo do Distrito Federal (GDF) propôs como garantias participações acionárias em empresas públicas como a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), o BRB e Companhia de Energética de Brasília (CEB), além de nove imóveis públicos autorizados pela lei nº 7.845/2026, que busca fortalecer o caixa do BRB após a tentativa de compra do Banco Master. A lei foi sancionada em 10 de março pelo governador Ibaneis Rocha. No entanto, a área conhecida como Serrinha do Paranoá (Gleba A) teve o uso de garantia suspenso pela Vara do Meio Ambiente vinculada ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).
Ainda cabe recurso do GDF. A Serrinha do Paranoá possui uma área superior a 12 mil hectares. O Governo do Distrito Federal pretendia destinar 716 hectares para fortalecer um fundo imobiliário, oferecer como garantia em um empréstimo ou negociar a venda da área para o setor privado.
Entre os resultados esperados com o empréstimo estão: expansão da carteira de crédito; financiamento de infraestrutura e habitação; apoio a micro e pequenas empresas; estímulo à economia local e à arrecadação.
A iniciativa ocorre em meio a dificuldades fiscais do DF. O governo local recorre ao FGC após encerrar 2025 com déficit de cerca de R$ 1 bilhão e sem capacidade de obter garantia do Tesouro Nacional para operações de crédito. No caso do BRB, a situação também é pressionada por perdas associadas a ativos problemáticos e pela necessidade de elevar provisões, estimadas em bilhões de reais. O processo ainda está em fase inicial e depende da análise do FGC quanto à viabilidade, risco e adequação às regras do fundo.