O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou, nesta quinta-feira (12), a Operação Blackboard, que investiga esquema de corrupção que desviou mais de R$46 milhões em um contrato de aluguel na Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF). A ação, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apura crimes de corrupção, fraude à licitação, peculato, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. Foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão (3 no estado de São Paulo, 1 em Goiás, 1 em Tocantins e os demais na capital). De acordo com as investigações, há indícios de irregularidade no aluguel de um imóvel particular, no setor de postos e motéis da Candangolândia, pela Secretaria de Educação.
O imóvel seria utilizado para abrigar o Centro de Ensino Fundamental I da região que está em reforma há seis anos. A operação apurou que houve dispensa ilegal de licitação e superfaturamento do contrato. A investigação aponta a participação de agentes públicos com prerrogativa de foro. Parte expressiva desses recursos é proveniente de emendas parlamentares destinadas de forma irregular. A casa e o escritório do deputado distrital Hermeto (MDB), líder do governo na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), foram alvo de buscas.
O parlamentar se manifestou e negou envolvimento no caso. "Não possuo qualquer gestão de nenhum contrato. isso é única e exclusivo de responsabilidade da Secretaria de Educação. Estranha muito essa operação em ano eleitoral, nas vésperas das eleições. Sou um dos deputados que mais investe em educação, então não tenho nenhum problema com isso. Estou à disposição da justiça integralmente para esclarecer qualquer fato", afirmou o deputado nas redes sociais. O deputado também destacou que os recursos destinados por seu mandato à educação foram aplicados ao longo de sete anos por meio do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF), mecanismo utilizado diretamente pelas escolas para pequenas reformas, manutenção e melhorias estruturais.
A operação contou com o apoio dos Ministérios Públicos dos Estados de São Paulo, de Goiás e de Tocantins, além do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor/PCDF) e da Polícia Militar de São Paulo. A Secretaria de Educação do DF também esclarece que o "contrato de locação do imível citado em reportagens recentes foi firmado em 29 de janeiro de 2020, portanto em gestão anterior à da atual secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, que assumiu o comando da pasta apenas em julho de 2021. A SEEDF reforça que permanece à disposição dos órgãos de controle e investigação."