O último Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na sexta-feira (6), mostrou que o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), aumentou em quase todo país, incluindo o Distrito Federal. A análise destaca que este cenário vem sendo impulsionado principalmente pelo aumento do número de hospitalizações por rinovírus em crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, pelo vírus sincicial respiratório (VSR) nas crianças menores de 2 anos e por influenza A na população de jovens, adultos e idosos. A análise é referente à Semana Epidemiológica 8, no período de 22 a 28 de fevereiro.
A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) é uma condição clínica caracterizada pelo comprometimento grave do sistema respiratório, exigindo frequentemente hospitalização. Ela ocorre devido ao agravamento de uma infecção respiratória que pode ser causada por diversos agentes etiológicos, como influenza, Sars-Cov-2, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), entre outros vírus respiratórios. Idosos e crianças pequenas são mais suscetíveis a formas graves e óbitos.
Segundo informações do Ministério da Saúde, nos últimos dois anos, houve aumento significativo nos casos de SRAG causada pelo Vírus Sincicial, um dos principais agentes associados à bronquiolite, quadro que causa inflamação dos bronquíolos. Embora atinja mais crianças, a infecção pelo vírus também é capaz de causar quadros graves em adultos, agravando ou descompensado condições de saúde pré-existentes, como cardiopatias, pneumopatias, diabetes, hepatopatias dentre outras comorbidades. As complicações são mais comuns em pessoas a partir dos 60 anos de idade.
"O aumento de casos de SRAG em crianças e adolescentes muito provavelmente está relacionado ao retorno às aulas. Portanto, recomendamos que, caso a criança ou adolescente apresente algum sintoma de gripe ou resfriado, que os pais evitem levá-la à escola, para evitar a transmissão do vírus para outras crianças. Se não for possível deixar a criança ou adolescente em casa, o ideal é que ela use uma boa máscara, especialmente dentro da sala de aula", reforça a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, desenvolvido pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz.
Dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal revelam que, em 2025, o DF registrou 8.510 casos de SRAG, com maior incidência em crianças de 0 a 1 ano de idade. Até este momento, a capital contabilizou 557 casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave.