No ano passado, a Rede de Bancos de Leite Humano do Distrito Federal (rBLH-DF) atendeu 16 mil recém-nascidos, incluindo prematuros e bebês com baixo peso. Nesse período, foram coletados mais de 21 mil litros de leite humano, com média aproximada de 1.752 litros por mês. O resultado é fruto de um gesto fundamental e solidário de 6 mil doadoras.
Graça Cruz, coordenadora do Centro de Referência em Banco de Leite Humano do DF, explica que o volume ideal é de 2 mil litros de leite por mês para garantir o atendimento a todos os bebês prematuros e de baixo peso que estão internados em unidades de tratamento intensivo (UTIs) neonatais. "Muitos bebês nas UTIs neonatais do DF precisam desse leite, por isso a gente ainda espera alcançar essa meta de 2 mil litros por mês."
Cruz destaca que o leite humano é considerado alimento padrão ouro por ter diversos benefícios: ajuda na flora intestinal, no metabolismo, no desenvolvimento cognitivo, cerebral e imunológico do bebê. Dessa forma, o bebê se beneficia de todos os componentes do leite materno. Além disso, é só no leite materno que há a presença de proteínas de células de defesa que aumentam a imunidade da criança e a presença de lactoferrina, que será responsável na melhor absorção de ferro.
A coordenadora explica que a primeira função das Unidades de Banco de Leite Humano e dos postos de coleta é a promoção da amamentação. "Nós reforçamos a amamentação por meio de orientações e o apoio às mulheres que estão amamentando nas maternidades, dentro dos hospitais. Para que essas mulheres consigam amamentar sem dificuldade e, assim, possam doar o excesso de leite que venham a ter. Também intensificamos a promoção da amamentação, as orientações e o apoio às mulheres que estão amamentando."
As campanhas são essenciais para incentivar a doação. "Realizamos campanhas nas unidades básicas, orientando e incentivando as mães a doar. Dessa forma, conseguimos melhorar nossa coleta e alcançar o volume de leite necessário. No DF, somos referência e estamos perto da meta. As mulheres do DF são muito solidárias, muitas mães se dispõem a doar, mas ainda podemos alcançar muito mais"
A doação do leite materno passa pelo processo de coleta, processamento e distribuição para bebês prematuros internados ou com patologias, que não podem ser alimentados diretamente pela mãe. Os bebês recebem o leite humano por uma sonda ou no copinho; jamais recebem por mamadeira.
A coordenadora frisa que mães que amamentam e têm leite excedente podem ajudar entrando em contato pelo telefone 160 (opção 4) ou pelo site do Amamenta Brasília para agendar a coleta em casa.