Por Mayariane Castro
Palco de muita arte e berço de muitos artistas, o Paranoá hoje se consolida dentro da cena cultural do DF de forma singular. Criado em 1987, o Centro de Cultura e Desenvolvimento do Paranoá e Itapoã (Cedep) atua nas áreas de cultura e educação no Distrito Federal e é um dos realizadores do Festival de Cinema do Paranoá.
A iniciativa integra um conjunto de ações desenvolvidas pela entidade junto à comunidade local e tem como foco a promoção de produções cinematográficas brasileiras a partir das Regiões Administrativas do Paranoá e do Itapoã, com conexões em outros territórios do DF e do país.
O Festival de Cinema do Paranoá busca ampliar o acesso ao audiovisual e estimular a produção independente, estudantil e autoral.
A programação prioriza a participação de cineastas negros, a pluralidade de narrativas e a ampliação da presença de obras dirigidas por mulheres.
As três edições do festival foram realizadas nas dependências do Cedep, organização sem fins lucrativos que atua há mais de 30 anos na região.
O Cedep desenvolve projetos voltados à alfabetização de jovens e adultos, educação infantil, atividades culturais, esportivas e ações de cidadania. Parte dessas iniciativas tem como eixo a promoção da igualdade de gênero.
O Paranoá e o Itapoã estão entre os territórios classificados como áreas de vulnerabilidade social no Distrito Federal, contexto no qual a instituição mantém atuação continuada junto à população.
Portal digital
Além do festival, o Cedep participa da construção do Território Cultural do Paranoá, um portal digital voltado ao mapeamento e ao fortalecimento da produção cultural local. A plataforma tem como objetivo cadastrar agentes culturais e artísticos da região, como cantores, compositores, músicos, bandas, grupos, artistas visuais, poetas, artesãos, coletivos e espaços de criação. O levantamento busca sistematizar informações sobre a produção cultural existente e ampliar a articulação entre os agentes do território.
A proposta do portal está relacionada a ações de arte, educação e fomento cultural desenvolvidas no Paranoá. A iniciativa pretende reunir dados que contribuam para a formulação de políticas culturais e para a visibilidade dos trabalhadores da cultura que atuam na região administrativa.
Martinha do Coco
Entre as ações culturais ligadas ao território está a proposta idealizada por Marta Leonardo, conhecida como Mestra Martinha do Coco. Moradora do Paranoá há cerca de 30 anos, a artista desenvolve atividades socioculturais voltadas à valorização da cultura popular e afro-brasileira no local. Nos últimos seis anos, essas ações foram organizadas em três eventos anuais, realizados no início, no meio e no fim do ano.