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Réu diz que atirou em uma das vítimas "sem querer"

Por Isabel Dourado

O julgamento da maior chacina do Distrito Federal entrou no quarto dia nesta quinta-feira (16). Na quarta-feira (15), foram interrogados os três primeiros réus: Gideon Batista de Menezes, Hóracio Carlos Ferreira Barbosa e Fabrício Silva Canhedo. O Tribunal do Júri acontece no Fórum de Planaltina (DF). O julgamento da chacina começou na segunda-feira (13) e segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), deve se estender até o dia 19.

As vítimas da chacina são: Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54 anos; Renata Juliene Belchior, 52; Gabriela Belchior de Oliveira, 25; Thiago Gabriel Belchior de Oliveira, 30; Elizamar da Silva, 39; Gabriel Silva, de 7 anos; Rafael e Rafaela Silva, 6 anos; Cláudia Regina Marques de Oliveira, 55; e Ana Beatriz Marques de Oliveira, 19 anos.

A sessão desta quinta começou no período da manhã com o interrogatório do réu Carlomam dos Santos Nogueira. O réu afirmou que atirou no patriarca Marcos Antonio Lopes de Oliveira, "sem querer". Em sua declaração, o réu disse ainda que a vítima já estava rendida, mas que houve um embate entre eles, momento em que ocorreu um disparo acidental que matou Marcos.

Carlomam dos Santos Nogueira declarou que era amigo do réu Fabrício Canhedo há algum tempo. Eles conversaram que "teria uma fita para eles ganharem dinheiro" e que estavam passando por uma crise financeira. O réu atribuiu a Gideon Menezes e Horácio Carlos a condução do plano que vitimou dez pessoas da mesma família. Carlomam confessou que ele era o responsável pelos sequestros das vítimas: Marcos Antonio, Renata Juliene, e Gabriela Belchior. "O Gideon me deu a arma e meu papel era somente sequestrar o Marcos, mas o matei sem querer ao disparar acidentalmente. Eu estava com a arma pressionando sobre ele, quando acionei o gatilho sem querer." Segundo declaração do réu, após a morte de Marcos o plano teria "desandado". "O Horácio e o Gideon cortaram os membros", afirmou. Em seguida, Gideon ordenou o sequestro de Renata Juliene e Gabriela Belchior.

O réu Carlomam negou ter participado da morte de Elizamar da Silva e dos dois filhos dela: Rafael e Rafaela. O último réu a prestar depoimento foi Carlos Henrique Alves da Silva. Em depoimento, ele negou ter envolvimento nos assassinatos. O interrogatório terminou por volta das 15h desta quinta-feira. Nos próximos dias o julgamento deve avançar para os debates da acusação e defesas.

A investigação do MP evidenciou que os crimes praticados pelo grupo ocorreram entre outubro de 2022 e janeiro de 2023 para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, que estava sob a posse de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. Segundo informações da Polícia Civil, a chácara de 5,2 hectares estava avaliada em R$2 milhões. O grupo também tinha a intenção de subtrair valores em dinheiro das vítimas. A investigação classificou o crime como "plano cruel e torpe", no qual os acusados atuaram de forma coordenada, com funções definidas e uso de violência extrema.