Dourados (MS) enfrenta uma mobilização emergencial para conter o avanço da chikungunya, com atuação integrada de órgãos municipais, estaduais e federais.
No balanço divulgado na última terça-feira (7) pela Secretaria Municipal de Saúde, foram indicadas 3.971 notificações, com 2.859 casos prováveis, 1.442 confirmados, 1.973 em investigação e 556 descartados. A taxa de positividade chegou a 72%. O boletim também registra cinco mortes confirmadas e três em análise.
A rede assistencial enfrenta pressão com média de 451 atendimentos diários na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
A população indígena concentra parte relevante dos registros, com 1.697 casos prováveis e 1.153 confirmados. A transmissão já alcança áreas urbanas.
Para reforçar o enfrentamento, a prefeitura municipal abriu, na última quarta-feira (8), um processo seletivo para agentes de combate às endemias, com base no cadastro do concurso anterior.
Na terça-feira (7), a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS) implementou um fluxo emergencial para lidar com a situação.
As medidas incluem reorganização da assistência, reforço no atendimento, controle do vetor e novas regras para agilizar a regulação de pacientes graves.
Entre as ações, está a definição do prazo de até uma hora para decisão assistencial em casos críticos e a autorização de transferência imediata por "vaga zero", diante da pressão sobre a rede.
A resolução estabelece integração entre centrais municipais e estaduais, com definição de responsabilidades e sequência de encaminhamentos.
Além disso, as equipes da Vigilância Sanitária local estão realizando visitas domiciliares e o controle do vetor. O Centro de Controle de Zoonoses ampliou ações com instalação de armadilhas e borrifação. Em operações recentes, foram vistoriados 1.314 imóveis, com 15 focos identificados e 83 criadouros tratados.
A Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) atua no município desde 18 de março, em conjunto com órgãos federais e equipes locais. As ações incluem ampliação de profissionais, apoio logístico, controle vetorial e capacitação para diagnóstico.
Recentemente, o Governo Federal destinou mais de R$ 3,1 milhões em recursos emergenciais. Desse total, R$ 1,3 milhão foi autorizado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) em portaria voltada a ações de socorro e assistência humanitária.
No início do mês, o Ministério da Saúde (MS) ampliou a atuação no território com o envio de 50 agentes de combate às endemias para atuação nas áreas indígenas, dos quais 20 começaram os trabalhos em 3 de abril.