O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) condenou quatro pessoas por participação em organização criminosa voltada à manipulação de partidas do Campeonato Brasiliense de Futebol de 2024, popularmente conhecido como Candangão, com o objetivo de obter ganhos em apostas esportivas.
A ação teve origem em denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), no âmbito da Operação Fim de Jogo.
Conforme a investigação, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas, envolvendo a gestão de departamento e a atuação direta de atletas em campo para influenciar resultados.
De acordo com as informações divulgadas, a organização se aproveitou da situação financeira de um clube do DF para facilitar a prática das irregularidades. O esquema incluía ajustes prévios e atuação direcionada em lances, com foco em alterar o desfecho das partidas e gerar retorno financeiro em apostas.
A decisão considerou relatórios técnicos que identificaram padrões anômalos em apostas, movimentações financeiras suspeitas e análises de jogos que indicaram condutas incompatíveis com o padrão esportivo. Também foram levados em conta depoimentos e demais provas reunidas durante a apuração.
Na sentença, o magistrado apontou que as práticas afetaram a confiança nas competições e ultrapassaram o âmbito esportivo, configurando crimes previstos na legislação penal e causando impacto sobre o funcionamento das instituições.
Segundo o TJDFT, William Pereira, apontado como líder, recebeu pena de 13 anos e seis meses de reclusão em regime inicial fechado, além de 58 dias-multa. Amauri dos Santos foi condenado a 11 anos e 10 meses de reclusão, também em regime inicial fechado, com aplicação de 45 dias-multa. Alexandre Damasceno e Nathan Henrique da Silva tiveram penas fixadas em sete anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, além de 30 dias-multa cada. Já a ré Dayana Feitosa foi absolvida na decisão.