Mato Grosso do Sul é o único estado a cumprir todos os critérios definidos para a implementação da governança climática, segundo a segunda edição do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas, divulgada pelo Centro Brasil no Clima (CBC).
O levantamento reúne indicadores sobre atividades econômicas, impactos ambientais e medidas adotadas para reduzir emissões de gases de efeito estufa e enfrentar mudanças do clima.
Entre os destaques, o estado apresenta uma estrutura completa de planejamento, financiamento e execução de políticas públicas voltadas ao tema.
O estudo aponta que Mato Grosso do Sul integra o grupo de oito unidades com melhores índices de destinação de resíduos sólidos urbanos. Em 2015, o percentual de destinação correta nos municípios era de 44%, índice que chegou a 85% em 2024.
O estado também concluiu todas as etapas de gestão do Cadastro Ambiental Rural (CAR), incluindo inscrição, análise técnica e automatizada, além da regulamentação do Programa de Regularização Ambiental (PRA).
No campo financeiro, possui instrumentos voltados ao apoio de políticas ambientais, como o ICMS Verde, o Fundo Ambiental, o Fundo de Recursos Hídricos e o Fundo Climático. O estado estabeleceu meta de neutralidade de carbono até 2030.
Entre as iniciativas recentes, estão a implantação da Política Estadual de Mudanças Climáticas, a criação do Fórum Estadual e a realização de encontros para discussão de medidas em 2024.
Em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e o governo de Mato Grosso, foi desenvolvido o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Pantanal.
O estado também segue as diretrizes do Plano ABC e aplica inventário de emissões, além de manter planos de resíduos sólidos e de recursos hídricos.
Apesar dos avanços, o estudo aponta desafios relacionados à recuperação de áreas degradadas. No país, 107,6 milhões de hectares de pastagens apresentam baixo ou médio vigor.
No Centro-Oeste, esse potencial corresponde a 41,5% das áreas com possibilidade de conversão para sistemas sustentáveis. Mato Grosso do Sul possui 12,3 milhões de hectares nessas condições.
O Anuário também destaca programas voltados à mitigação de riscos ambientais, como MS Carbono Neutro, Carne Carbono Neutro e Rodovias Resilientes. No Pantanal, houve redução de 58,6% no desmatamento em 2024 na comparação com 2023.
O nível de resposta estadual às mudanças climáticas é tido como parcialmente avançado, com ênfase no monitoramento de emissões e certificação ambiental.