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Passagens subterrâneas do Eixão serão monitoradas

Por Isabel Dourado

O Governo do Distrito Federal (GDF) começou um projeto-piloto de videomonitoramento em passarelas subterrâneas do Plano Piloto. A parceria entre a Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) e a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) integra um conjunto de ações voltadas à prevenção criminal e à ampliação da segurança para pedestres. Na fase inicial quatro passarelas subterrâneas serão monitoradas, uma na Asa Norte e três na Asa Sul.

Atualmente, a passarela localizada entre as quadras 102/103 Norte está em fase de teste com quatro câmeras instaladas, integradas ao sistema de videomonitoramento da SSP-DF. Cada passarela contará com quatro câmeras posicionadas estrategicamente, garantindo cobertura dos principais fluxos de circulação de pedestres. As imagens serão acompanhadas de forma conjunta pelos centros de monitoramento da SSP-DF e da Novacap, além do Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob).

Em nota ao Correio da Manhã, a Secretaria de Segurança Pública informou que na Asa Sul estão previstas 12 câmeras, distribuídas em três passarelas que conectam as quadras 101/201, 103/203 e 105/205. "As câmeras ainda não estão funcionando, em virtude da dificuldade da energização elétrica por parte da Neoenergia, processo que está sendo intermediado pela Novacap", informou a SSP-DF.

Um acordo de cooperação técnica entre SSP-DF e Novacap está em estudo para consolidar ações permanentes de segurança e inibir a depredação das estruturas. A revitalização das passarelas subterrâneas do Plano Piloto também está alinhada à política de Prevenção Criminal pelo Desenho do Ambiente, instituída no DF por meio de portaria publicada em janeiro deste ano, que criou oficialmente o Diagnóstico de Segurança Territorial como instrumento estratégico de apoio às políticas públicas de segurança.

Insuficiente

Apesar do anúncio do videomonitoramento das passagens subterrâneas, o professor e pesquisador em mobilidade, Carlos Penna, avalia que a medida é insuficiente e não resolverá o problema da insegurança. "Todas as passarelas do Eixão Sul e Norte deveriam ter sido transformadas no padrão das passarelas do metrô. As passarelas do metrô são largas, limpas, policiadas e as passagens subterrâneas são sujas, sem iluminação e sem qualquer policiamento", critica.

De acordo com Penna, o videomonitoramento apenas permitirá acompanhar os crimes em tempo real, sem enfrentar as causas do problema. Ele defende a necessidade de revitalizar as passarelas, nos moldes das do metrô, além de ampliar a malha metroviária. "Não adianta colocar câmera, porque não vai resolver, não chegará na raiz do problema. No máximo, o que se vai ter são as imagens em tempo real da pessoa sendo atacada ou dos crimes. O GDF foge de adotar qualquer solução que implique o aumento de passageiros para o metrô. Isso tudo tem a ver com o abandono do metrô por parte do GDF."