Por Isabel Dourado
O Ministério da Saúde tem reforçado a vacinação contra a febre amarela em vários estados. Entre julho de 2024 e junho de 2025, o Brasil confirmou 122 casos da doença em humanos, com 48 óbitos. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) recebeu, na segunda-feira (26), um lote de 50 mil doses de vacina contra a febre amarela.
O estoque deve garantir o atendimento a toda a população que procurar o imunizante nas cem salas de vacina.
Segundo dados da Secretaria de Saúde, a capital registrou um caso de febre amarela em 2015, dois em 2017, três em 2018, três em 2021 e dois em 2022. Em 2025, houve a confirmação de uma pessoa infectada fora do Distrito Federal, no Tocantins.
Desde setembro de 2025, a Secretaria está em alerta para possíveis casos, por causa da morte de macacos e micos pela doença em Goiás. Esses animais não transmitem a febre amarela, mas a morte deles é um indicativo da circulação do vírus.
A gerente da Rede de Frio Central da SES-DF, Tereza Luiza Pereira, afirma que a Secretaria tem supervisionado a situação no Distrito Federal e enfatiza a importância da população manter o cartão de vacina atualizado para manter a proteção. "Hoje o DF está em alerta. Ainda não temos casos confirmados nem em macacos nem em humanos, mas tivemos casos confirmados nos municípios vizinhos de Goiás em macacos. A gente sabe que o vírus está circulando e pode chegar ao Distrito Federal. Por isso, fazemos esse chamamento à população para que mantenha o cartão de vacinação em dia contra a febre amarela, porque a vacinação é a melhor forma de prevenção contra a doença."
Segundo Pereira, a cobertura vacinal contra a febre amarela no Distrito Federal está em 77,5%, índice bem abaixo do recomendado pelo Ministério da Saúde, que é de 95%. "Até 2017, tínhamos uma cobertura muito boa de vacinação contra a febre amarela. De 2017 para cá, essa cobertura começou a cair, isso gera preocupação. Porque formam-se bolsões de pessoas suscetíveis, aumentando o risco de adoecimento", explica.
Atualmente, a febre amarela é transmitida por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes no ciclo silvestre, afetando pessoas que contraem o vírus em áreas de mata ou em suas proximidades. No ciclo silvestre, os primatas não humanos (PNHs) são considerados os principais hospedeiros. O último caso de febre amarela urbana no Brasil foi registrada há mais de 70 anos.
"Não há transmissão pelo Aedes Aegypti e por isso a nossa preocupação. Já tivemos no passado e o Brasil fez uma grande força-tarefa para eliminar a transmissão da febre amarela pelo Aedes", explica Pereira.
A enfermidade pode ser assintomática, mas os sinais mais comuns são dores de cabeça e no corpo, febre, calafrios, perda de apetite, náuseas, olhos avermelhados, cansaço, fraqueza e fotofobia (sensibilidade excessiva à luz). Em alguns casos, a doença evolui para dores abdominais, o que indica lesões no fígado. A pessoa então apresenta uma coloração amarelada, cenário em que pode haver insuficiência renal e até a morte.
Desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema vacinal de apenas uma dose durante toda a vida.