Por Isabel Dourado
Compreender políticas públicas, direitos humanos, e o funcionamento da política é fundamental para a formação cidadã. Com esse objetivo, o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) planejou e executou o projeto Grito das Periferias, voltado à qualificação de jovens de 16 a 29 anos nesses temas.
Ao todo, 75 jovens foram selecionados para participar da iniciativa, 25 de cada uma das regiões do Itapoã, Ceilândia e Estrutural. O projeto foi realizado com recursos da Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal. As regiões foram escolhidas levando em consideração o alto índice de vulnerabilidade social.
O Inesc fez a seleção dos participantes por meio de formulário eletrônico e, depois, entrou em contato com cada jovem para confirmar o interesse em participar da iniciativa que contou com encontros quinzenais nas três regiões.
De acordo com o Instituto, ao longo do projeto, foram realizadas 13 oficinas em cada região, organizadas em cinco eixos temáticos: raça, gênero e interseccionalidade; direitos humanos e políticas públicas; direito à cidade e à cultura; orçamento e direitos humanos; e metodologia de pesquisa em educação popular.
O consultor do Inesc, psicólogo e educador popular, Rafael Félix, explica que a essência do projeto é formar juventudes para que elas possam entender como funciona o orçamento público do Distrito Federal. "Na primeira etapa do projeto realizamos um percursos formativo no qual discutimos diversas temáticas, como acesso à cidade, acesso à cultura, direitos humanos, orçamento público, interseccionalidade e racismo ambiental. A gente instrumentalizou esses jovens para que, de maneira muito autônoma, eles pudessem se organizar e avaliar como o orçamento público estava sendo executado nessas áreas."
O educador explica que, após a etapa da qualificação, foram realizadas diversas oficinas e debates com agentes culturais das próprias regiões administrativas, em parceria com a equipe técnica do Inesc. Cada grupo de jovens desenvolveu uma produção político-cultural, utilizando os aprendizados adquiridos.
No Itapoã, foi realizado o evento Sábado de Quebrada; na Ceilândia, Passado do Amanhã; e na Estrutural, Sustenta Baile. Cada uma das atividades reuniu mais de 100 pessoas. "Na Ceilândia, fizemos um evento chamado Passado do Amanhã. A ideia era vincular a ancestralidade com a cultura urbana. Fizemos debates com a população, e o tema escolhido pelos jovens foi sobre as pessoas em situação de rua. Depois desse processo elaboramos um plano de incidência política. Fomos ao planejamento do GDF e verificamos, junto com os jovens, se as pessoas em situação de rua estão sendo contempladas no orçamento público. Fizemos propostas para o orçamento público do GDF e enviamos para alguns parlamentares." Segundo Rafael, as propostas elaboradas foram apresentadas na Audiência Pública da Câmara Legislativa do Distrito Federal, e os deputados que participaram se comprometeram em criar um grupo de trabalho com as juventudes para dialogar com o Governo do DF e apresentar as demandas.
"Há muitos ganhos para o processo formativo desses jovens. Esperamos que haja uma continuidade dessas iniciativas."