Por Mateus Lincoln
O Distrito Federal registrou uma redução expressiva nos registros de dengue até a Semana 51 de 2025, conforme o Boletim Epidemiológico divulgado no último dia 22 (Ano 20, nº 51).
Dados consolidados pela Secretaria de Saúde (SES-DF) indicam 24,6 mil notificações suspeitas da doença no período, das quais quase 11,9 mil foram classificadas como prováveis.
Entre esses casos, 11,1 mil correspondem a moradores do DF, enquanto a maior parte das ocorrências entre residentes de outros estados teve origem em Goiás, com 723 registros.
Na comparação com o mesmo intervalo de 2024, a diminuição entre os residentes no DF chegou a 96%, segundo a SES. No ano anterior, haviam sido contabilizados pouco mais de 278 mil episódios prováveis.
A pasta esclareceu que os números são preliminares e podem sofrer alterações conforme o avanço da investigação e a atualização do banco de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
A análise temporal mostra que a dengue mantém comportamento sazonal no DF, com maior circulação entre outubro e maio.
O atual ciclo teve início na Semana Epidemiológica 40 de 2025, seguindo padrão semelhante ao observado na temporada anterior. Mesmo com a retração dos casos, a vigilância permanece ativa em razão da possibilidade de novos aumentos durante o período chuvoso.
Dados
O perfil dos registros aponta maior incidência no sexo feminino, com taxa de 346,21 casos por 100 mil habitantes. Entre as faixas etárias, o grupo de 20 a 29 anos concentrou o maior índice, seguido por menores de 1 ano e adolescentes de 15 a 19 anos.
A Secretaria avalia que fatores como mobilidade, exposição ambiental e densidade populacional influenciam esses resultados.
No recorte por Regiões Administrativas, Ceilândia liderou o total de casos, com quase 1,1 mil registros. Em seguida, vêm as localidades: Samambaia (901), São Sebastião (749), Taguatinga (613) e Plano Piloto (552).
Esses cinco territórios responderam por 35,09% das notificações prováveis no DF até a semana analisada.
Apesar do volume acumulado, a classificação de risco nas últimas 4 semanas permaneceu baixa na maioria das regiões. Varjão, Sol Nascente/Pôr do Sol e Ceilândia apresentaram os maiores índices recentes, ainda enquadrados como baixa incidência.
Arniqueiras e Água Quente permaneceram sem registros.
Recomendações
Na avaliação clínica, a infectologista do Hospital Anchieta Ceilândia, Adryelle Luetz, ressalta que a prevenção depende da eliminação de possíveis focos.
"A prevenção começa dentro de casa, com atitudes simples, como esvaziar pratos de plantas, manter garrafas viradas para baixo e descartar corretamente pneus e entulhos, mas não pode parar por aí", afirma.
Ela explica que calhas limpas, piscinas tratadas e bandejas de aparelhos revisadas reduzem a proliferação do Aedes aegypti.
"O mosquito da dengue pode se deslocar por até 200 metros. Isso significa que, se a vizinhança não fizer a sua parte, o risco continua existindo. O combate à dengue precisa ser coletivo", acrescenta a médica.
De acordo com a infectologista, o uso correto de repelentes também auxilia na redução das infecções. Ao abordar os sintomas, Luetz alerta para a chamada janela crítica, que, geralmente, acontece após o quarto dia.
"Muitas pessoas acreditam que estão melhorando, mas é justamente nesse momento que o risco aumenta", explica. Ela cita dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos e tontura como sinais que exigem atendimento imediato.
Vacinação
A Secretaria de Saúde informou ainda que a vacina Qdenga passou a ser aplicada simultaneamente com outros imunizantes do calendário nacional, como covid-19, influenza e febre amarela.