A Universidade de Brasília (UnB) firmou parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para criar e validar um dispositivo capaz de identificar a presença de metanol em bebidas alcoólicas em poucos minutos.
A iniciativa busca reduzir riscos à saúde associados ao consumo de produtos adulterados e ampliar mecanismos de prevenção voltados à população.
O acordo foi formalizado em cerimônia realizada no Instituto de Química (IQ) da instituição e estabelece cooperação técnica e financeira para o desenvolvimento de uma solução de análise simples, rápida e de baixo custo.
De acordo com informações compartilhadas pela Secretaria de Comunicação institucional (Secom-UnB), o dispositivo permitirá verificar a contaminação diretamente no local de uso, sem a necessidade de equipamentos complexos ou uma estrutura laboratorial avançada.
O acordo
O projeto prevê investimento total de R$ 382,2 mil, com vigência inicial de 12 meses. A maior parte dos recursos será destinada pela agência federal, enquanto a universidade participa com contrapartida econômica.
A realização ficará sob responsabilidade da própria UnB, que também manterá os direitos de propriedade intelectual sobre os resultados que forem obtidos ao longo do trabalho.
Toda a pesquisa será conduzida no Laboratório de Bioprocessos, Materiais e Combustíveis do IQ (LMCerva/IQ). O grupo possui histórico no desenvolvimento de métodos para identificação de substâncias químicas por meio de reações visuais.
Como funcionará
A técnica aplicada permite a detecção do metanol pela alteração de cor dos reagentes, mesmo em líquidos açucarados, escuros ou ainda gaseificados.
Além da validação do método, o cronograma inclui estudos para aprimorar os insumos utilizados, testes comparativos, produção de um lote piloto e elaboração de material informativo simplificado.
Segundo a Secom, o planejamento também contempla análises de viabilidade para uso futuro da tecnologia em ações de fiscalização, pontos comerciais e, de forma direta, pelo consumidor.
Importância da pesquisa
A iniciativa tem origem em pesquisas iniciadas há mais de dez anos na universidade, voltadas inicialmente à identificação de adulteração em combustíveis.
Com o aumento de registros de intoxicação por metanol em bebidas no país no último ano, o conhecimento acumulado foi adaptado para atender a essa nova demanda sanitária.
O metanol é uma substância tóxica que pode causar danos neurológicos, perda de visão e podendo levar o indivíduo ao óbito devido às diversas complicações, o que torna essencial a detecção rápida antes do consumo.
O dispositivo em desenvolvimento na UnB foi planejado para operar em poucos passos e apresentar resultado visual claro, facilitando a compreensão por pessoas sem formação técnica.