Por: Mateus Lincoln - BSB

Quais cuidados ter com os pets nas festas de fim de ano

Veterinária recomenda atenção redobrada com as mudanças bruscas na rotina dos pets durante as festas | Foto: Matheus H. Souza/Agência Brasília

Por Mateus Lincoln

Durante as festas de fim de ano, o aumento de reuniões familiares juntamente do preparo de refeições típicas dessa época elevam o risco de problemas de saúde para animais domésticos.

A Secretaria Extraordinária de Proteção Animal do Distrito Federal (Sepen-DF) alerta que os cuidados com os pets devem ser redobrados devido à alteração brusca da rotina deles, como a ingestão de itens inadequados, os barulhos de fogos de artifício e também a maior circulação de pessoas nas residências.

O consumo errôneo de alimentos destinados a humanos está entre as principais causas de intoxicações e ocorrências gastrointestinais dos bichos de estimação no período de festas.

A Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) registra, anualmente, um aumento de 30% a 50% nos atendimentos relacionados a distúrbios digestivos e envenenamentos nessa época.

Geralmente, a mesa fica posta ao longo do dia enquanto a comemoração acontece, exalando em todo o ambiente um aroma atrativo aos animais.

A coordenadora do curso de medicina veterinária da Estácio Goiás, Sandra Oliveira, chamou a atenção para as refeições que, para ela, podem se tratar "de um local repleto de armadilhas" aos companheiros de quatro patas.

"Muito do que é delicioso para o paladar humano, resulta de preparos tóxicos para o organismo dos pets. Alimentos gordurosos, por exemplo, causam um pico de estresse no pâncreas. Cada decisão tomada — da oferta de um osso à presença de alimentos inadequados — influencia diretamente na saúde e no comportamento dos bichinhos de estimação", afirmou.

Muitos tutores acabam cedendo aos pedidos dos cães e gatos e oferecendo alimentos que não foram feitos para eles.

Alguns dados comprovam a necessidade de um cuidado maior. Um levantamento da Pet Poison Helpline indica que a exposição a substâncias tóxicas, como chocolate e uvas, atinge seu pico entre o fim de dezembro e o início de janeiro. No caso da uva-passa, a ingestão de apenas 2,8 gramas por quilo de peso corporal do cão já pode provocar insuficiência renal aguda.

Além da mesa

Conforme lembrado por Oliveira, as recomendações não se limitam às refeições, mas se estendem ao ambiente como um todo.

"Estímulos visuais de uma mesa farta e o cheiro forte de temperos podem gerar ansiedade e apetite excessivo. Para isso, é imprescindível se atentar também ao restante da casa, mantendo o lixo fechado, a mesa inacessível e ofertando exclusivamente petiscos formulados para os animais", salientou ela.

Outros aspectos apontados pela veterinária se referem à iluminação intensa e ao excessivo barulho, principalmente de foguetórios, que podem ser minimizados com protetores de ouvidos ou, com ao menos, um espaço fechado a eles, onde os sons chegarão com menores impactos.

"É importante ressaltar que nós humanos estamos ansiosos por uma festança de final de ano, entretanto nossos pets gostam mesmo é de suas rotinas intocáveis. Nossa função é garantir que a alegria da festa não se transforme em sofrimento para eles", explicou a professora.

Recomendações

Para a veterinária, a criação de costumes alimentares seguros e o controle dos estímulos das festas não beneficia apenas cães e gatos com sensibilidade digestiva, mas pode melhorar a experiência de todos presentes no local, promovendo sensações mais agradáveis.

"Os espaços que favorecem a autonomia — como recipientes de água cheios e um cantinho de descanso — contribuem para o senso de controle e bem-estar psicológico", sinalizou.

Segundo Oliveira, um ambiente que respeita o ritmo dos animais, permitindo pausas, convivência e nutrição adequada, cria condições para relações mais saudáveis e para uma rotina menos exaustiva — até mesmo em datas comemorativas.

Atendimento público

Até o próximo dia 31, o Hospital Veterinário Público do DF (HVep - sede), localizado próximo ao Parque do Cortado, em Taguatinga (DF), estará funcionando até o meio-dia (12h), exclusivamente para atendimentos de urgência e emergência, sem atendimento previamente agendado.

Em períodos regulares, o Hospital Veterinário Público funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h. No intervalo entre 15h e 17h, o atendimento é restrito a animais admitidos até as 15h e ao acompanhamento de pacientes internados ou em recuperação pós-cirúrgica.

Além disso, a Sepen informou ao Correio da Manhã que há ainda a opção do serviço itinerante do HVep Móvel.

A unidade, que estará atendendo também até o meio-dia, ficará na região do Itapoã (DF) por pelo menos três meses, com posto instalado na administração.

O HVep Móvel oferece serviços gratuitos de baixa complexidade para cães e gatos, como consultas clínicas, exames laboratoriais, curativos simples, aplicação de medicamentos e também orientações aos tutores.

A secretaria informou à reportagem que ambos os serviços estarão fechados em 1º de janeiro, recomendando que, "nesse dia, em casos de urgência ou emergência veterinária, a orientação é que o cidadão procure clínicas veterinárias particulares ou hospitais veterinários privados que operem em regime de plantão".