Mansão bloqueada

Moraes determina bloqueio de mansão em Angra disputada por Richarlison e Willer Tomaz

Imóvel ligado ao advogado Willer Tomaz fica indisponível em investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro com apostas online

Moraes determina bloqueio de mansão em Angra disputada por Richarlison e Willer Tomaz
Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de mansão em Angra dos Reis disputada por Richarlison e Willer Tomaz. Crédito: Gustavo Moreno/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a indisponibilidade de uma mansão localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro. O imóvel está registrado em nome de uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e é alvo de uma disputa judicial com o jogador Richarlison.

A restrição foi incluída na Central Nacional de Indisponibilidade de Bens (CNIB) em 26 de outubro e averbada no cartório de registro de imóveis dois dias depois. A medida impede a transferência da propriedade, mas não determina sua devolução ao atacante.

A mansão, que pertenceu à cantora Clara Nunes, está registrada em nome da WT Administração de Imóveis e Bens. Richarlison afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões na aquisição do imóvel e questiona as circunstâncias que levaram à transferência da posse para a empresa de Willer Tomaz.

Investigação sobre apostas

O bloqueio integra um conjunto de medidas determinadas por Moraes em uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas online. Em 23 de outubro, o ministro já havia determinado o bloqueio de bens e valores ligados ao advogado e suas empresas até o limite de R$ 6 bilhões. A decisão também incluiu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial e a suspensão dos passaportes de Willer.

Segundo informações divulgadas durante a investigação, o advogado teria movimentado R$ 5 bilhões em apostas em uma única plataforma em 2025. As movimentações são objeto de apuração e não representam, por si só, comprovação de crime.

Disputa envolve Richarlison e Flávio Bolsonaro

A controvérsia sobre a mansão ganhou repercussão após Richarlison acusar Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro de participação em uma negociação que, segundo o jogador, resultou na perda do imóvel.

Willer contesta as acusações e sustenta a legalidade da aquisição. Flávio Bolsonaro nega envolvimento na disputa patrimonial e afirma que foi indicado apenas como testemunha no processo.

Em agosto, a Justiça do Distrito Federal rejeitou um pedido de urgência apresentado por Willer para impedir novas publicações de Richarlison sobre o caso, ao considerar o risco de censura prévia.

A indisponibilidade agora determinada no âmbito da investigação conduzida pelo STF não resolve a disputa cível sobre a propriedade. O imóvel permanece sujeito à restrição judicial enquanto prosseguem as apurações.