O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve convidar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o da Argentina, Javier Milei, para a cerimônia de posse de seu novo mandato, marcada para 5 de janeiro de 2027. Segundo auxiliares do governo, o convite será estendido a todos os chefes de Estado de países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas.
A possibilidade de participação dos dois líderes ocorre em meio a divergências entre o governo brasileiro e os respectivos países. A relação com Washington e Buenos Aires passou por novos episódios de tensão após a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) a Miami, depois de ser derrotado na eleição presidencial de domingo (25). O parlamentar teria recebido apoio de integrantes da equipe de Trump para organizar o deslocamento.
Além disso, Estados Unidos e Argentina ainda não reconheceram oficialmente o resultado da eleição que confirmou a vitória de Lula. Durante a campanha, Trump questionou, em diferentes ocasiões e sem apresentar provas, a lisura do processo eleitoral brasileiro. Milei, por sua vez, fez críticas públicas ao presidente brasileiro ao longo da disputa.
Apesar do cenário, o governo Lula não pretende adotar medidas diplomáticas em resposta aos posicionamentos dos dois países, para evitar o agravamento das divergências. No Palácio do Planalto, auxiliares avaliam que Trump está isolado ao não reconhecer o resultado das urnas.
Integrantes do Executivo federal também consideram que não há espaço para questionamentos à eleição, uma vez que o resultado foi reconhecido por lideranças internacionais, partidos políticos brasileiros — inclusive o PL, legenda de Flávio Bolsonaro — e representantes dos Poderes Legislativo e Judiciário.
Em 2023, a cerimônia de posse de Lula reuniu 21 chefes de Estado e de governo em Brasília, no Distrito Federal. Entre os participantes estavam representantes de países da América do Sul e da Europa.
Na posse de Jair Bolsonaro (PL), em 2019, o número de autoridades estrangeiras foi menor: dez chefes de Estado ou de governo compareceram. Entre eles estava o então primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Donald Trump, que ocupava a Presidência dos Estados Unidos naquele período, foi convidado, mas não participou. O país enviou o então secretário de Estado, Mike Pompeo, para representar o governo americano.
A cerimônia de Bolsonaro também foi marcada por uma controvérsia diplomática. O então presidente eleito retirou os convites enviados aos líderes Nicolás Maduro, da Venezuela, e Miguel Díaz-Canel, de Cuba.
Menu