Eleições 2026

Após vitória de Lula, onda de perseguição política no trabalho gera 530 denúncias no MPT em apenas dois dias

Onda de ameaças e incentivos à demissão de eleitores do PT chega à Justiça do Trabalho; deputada do PL no Rio foi proibida de estimular discriminação política.

Após vitória de Lula, onda de perseguição política no trabalho gera 530 denúncias no MPT em apenas dois dias
Índia Armelau afirmou que foi mal interpretada, negou ter defendido demissões por convicção política e disse ter apagado as publicações. Crédito: Divulgação

O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 530 denúncias de assédio eleitoral entre a madrugada de segunda-feira (26) e as 17h45 de terça-feira (27), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O volume de relatos expõe uma onda de ameaças, pressões e manifestações que defendem a demissão de trabalhadores por suas escolhas políticas.

Segundo o órgão, a pressão sobre trabalhadores após o resultado eleitoral tem características diferentes das eleições anteriores, quando as queixas se concentravam principalmente no período anterior à votação.

Justiça intervém no Rio

No Rio de Janeiro, a Justiça do Trabalho determinou que a deputada estadual Índia Armelau (PL) removesse, em até 48 horas, publicações que incentivavam empresários a verificar se funcionários haviam manifestado apoio a Lula. A liminar, concedida na terça-feira (27), também proibiu novas manifestações que estimulem discriminação, demissão ou perseguição de trabalhadores por convicção política.

A decisão do juiz Leonardo Saggese Fonseca, da 3ª Vara do Trabalho do Rio, prevê multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento. O processo tem o número 0101606-05.2026.5.01.0003.

O MPT pede ainda indenização de R$ 500 mil por dano moral coletivo. Esse pedido não foi julgado definitivamente.

Pressão se espalha

No Paraná, a deputada estadual eleita Jessica Ramos Moreno, conhecida como Jessicão (PL), também publicou mensagem recomendando a dispensa de funcionários que votaram em Lula e o rompimento de relações com prestadores de serviços petistas. Em Minas Gerais, empresários divulgaram publicações semelhantes.

A legislação trabalhista proíbe práticas discriminatórias. Conforme o caso, uma dispensa motivada por convicção política pode levar a reintegração ou indenização, mediante análise judicial.

Índia Armelau afirmou que foi mal interpretada, negou ter defendido demissões por convicção política e disse ter apagado as publicações. A parlamentar declarou que sua preocupação era com possíveis situações de sabotagem às empresas.

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Parlamentar declarou, em nota, que sua preocupação era com possíveis situações de sabotagem às empresas. | Foto: Divulgação