Transfobia

Justiça dá 15 dias para Pavanato e Campopiano se defenderem de ação por transfobia e manda Meta preservar provas

Deputados eleitos pelo PL são processados por vídeo de campanha que ridicularizaria mulheres trans. Associação pede R$ 500 mil por danos morais coletivos, enquanto Justiça determina preservação de dados de alcance e impulsionamento.

Justiça dá 15 dias para Pavanato e Campopiano se defenderem de ação por transfobia e manda Meta preservar provas
Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano terão prazo de 15 dias para apresentar defesa em ação movida pela Antra. Crédito: Divulgação

A Justiça de São Paulo deu prazo de 15 dias para que o deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP) e a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP) apresentem defesa em uma ação civil pública por suposta "transfobia recreativa". A decisão, publicada na quarta-feira (28), também determina que a Meta preserve informações sobre a circulação de um vídeo eleitoral divulgado pelos dois políticos.

O processo foi movido pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), que acusa os parlamentares eleitos de utilizar uma encenação sobre mulheres trans para produzir conteúdo discriminatório durante a campanha. A entidade pede indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos, além de retratação pública e proibição de novas publicações semelhantes.

Justiça identifica possível excesso no debate político

Na decisão, a juíza Maiara Leite, da 38ª Vara Cível de São Paulo, apontou elementos que podem indicar extrapolação dos limites do debate de ideias. A magistrada, entretanto, não determinou uma nova retirada do vídeo porque o conteúdo já está suspenso por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O despacho não representa condenação dos políticos nem julgamento definitivo sobre a existência de discriminação. A determinação abre prazo para apresentação das contestações e assegura a preservação de elementos que poderão ser analisados no processo.

Meta terá de preservar alcance e impulsionamento

Um dos principais pontos da decisão é a ordem para que a Meta, responsável pelo Instagram e Facebook, armazene de forma sigilosa os registros relacionados à publicação.

A medida abrange dados de alcance, visualizações, comentários, compartilhamentos e eventuais relatórios de impulsionamento pago. As informações poderão ajudar a Justiça a avaliar a dimensão da circulação do vídeo e seus possíveis efeitos.

A ordem de preservação não significa que tenha sido comprovado pagamento para impulsionar o conteúdo.

Vídeo de campanha motivou ação

A controvérsia começou com uma gravação de 28 segundos divulgada em setembro. No vídeo, Pavanato utiliza uma peruca e encena, ao lado de Campopiano, um diálogo sobre identidade de gênero, acesso a banheiros femininos e cotas universitárias.

Para a Antra, a representação utiliza estereótipos para ridicularizar mulheres trans. A associação também apresentou representação ao Ministério Público Federal (MPF), solicitando apuração de possíveis responsabilidades civis e criminais.

A entidade sustenta que o uso do humor não afasta eventual responsabilidade por manifestações discriminatórias.

Parlamentares também enfrentam outras apurações

O processo se soma a outras controvérsias judiciais envolvendo os políticos eleitos. O Ministério Público de São Paulo abriu investigação sobre declarações de Pavanato em entrevista à Jovem Pan. Em resposta, a assessoria do parlamentar questionou a imparcialidade do promotor responsável.

Campopiano também é alvo de uma ação distinta, relacionada a uma publicação sobre a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Na ocasião, afirmou que sua manifestação foi uma provocação política e negou intenção discriminatória.

Esses procedimentos são independentes da ação apresentada pela Antra e não constituem prova das acusações relativas ao vídeo de campanha.