Por: Redação

Brasil reduz perda de florestas tropicais em 2025

Maior queda foi observada nas perdas não relacionadas a incêndios, como desmatamento, corte raso e degradação natural | Foto: Philippe Gomes/Secom-AP

O Brasil perdeu 1,6 milhão de hectares de cobertura arbórea em florestas tropicais úmidas em 2025, segundo dados do Global Forest Watch divulgados nesta quarta-feira (29) pela organização ambiental World Resources Institute (WRI).

Apesar do volume elevado, o número representa uma redução de 42% em relação a 2024. A maior queda foi observada nas perdas não relacionadas a incêndios, como desmatamento, corte raso e degradação natural.

De acordo com a codiretora do programa, Elizabeth Goldman, o país registrou o menor nível desse tipo de perda desde o início da série histórica, em 2001. “O Brasil diminuiu as perdas não relacionadas a incêndios em 41% na comparação com 2024”, afirmou.

Entre os estados com maior redução estão Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima, que juntos respondem por mais de 40% da queda. O Maranhão foi o único a apresentar aumento na perda de cobertura arbórea.

Os dados são produzidos pelo Laboratório de Análise e Descoberta de Terras Globais (Glad), da Universidade de Maryland, e consideram áreas de vegetação primária — florestas naturais maduras com cobertura original.

Diferentemente do sistema oficial brasileiro, o Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), o modelo do Global Forest Watch inclui outros fatores além do desmatamento, como corte seletivo e morte natural da vegetação.

Segundo Goldman, mesmo com metodologias distintas, a tendência de queda está alinhada aos dados do Prodes, que apontam redução do desmatamento entre agosto de 2024 e julho de 2025 em diferentes biomas.

A diretora executiva do WRI Brasil, Mirela Sandrini, avalia que o resultado reflete ações coordenadas entre governo, sociedade civil, setor privado e comunidades locais. Entre as medidas citadas estão o incentivo à produção em áreas já desmatadas e mecanismos de financiamento e compensação ambiental.

No cenário global, a perda de florestas tropicais úmidas somou 4,3 milhões de hectares em 2025, uma queda de 35% em relação ao ano anterior. Ainda assim, os níveis permanecem elevados, com impacto significativo de incêndios florestais, que figuram entre os principais vetores de destruição.

O Brasil respondeu por mais de 37% da perda global no período, liderando o ranking em termos absolutos, seguido por Bolívia e República Democrática do Congo.

Especialistas apontam a expansão agrícola como principal causa da perda de cobertura arbórea nos trópicos, impulsionada pela produção de commodities e pela agricultura de subsistência.

Apesar da redução registrada, os dados ainda indicam desafios para o cumprimento da meta internacional de frear e reverter a perda florestal até 2030. Segundo Goldman, o ritmo atual mantém o mundo cerca de 70% acima do necessário para atingir esse objetivo.