Os insetos triatomíneos, popularmente chamados de barbeiros, são os vetores da doença de Chagas, responsáveis por transmitir o parasito Trypanosoma cruzi, causador da infecção, para as pessoas. No Brasil, existem 64 espécies do inseto e identificá-las corretamente é fundamental para estabelecer ações efetivas de controle e prevenção do agravo. A importância da capacitação continuada de equipes municipais de vigilância entomológica para esse trabalho é apontada numa pesquisa liderada pela Fiocruz e publicada na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.
O estudo foi coordenado pelo Laboratório Nacional e Internacional de Referência em Taxonomia de Triatomíneos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), centro de referência junto ao Ministério da Saúde. Realizada em Pernambuco, a pesquisa avaliou a identificação de triatomíneos em quatro municípios do interior do estado, onde há presença de barbeiros e risco de transmissão da doença de Chagas.
Analisando um painel de insetos de diferentes espécies, as equipes acertaram, em média, 68% das identificações. A maior frequência de erros ocorreu pela confusão entre espécies parecidas. Porém, houve casos em que os profissionais não conseguiram diferenciar barbeiros de percevejos que não se alimentam de sangue e não transmitem a doença de Chagas.
"A partir desse resultado, vamos promover capacitações nesses municípios. Identificar as espécies dos barbeiros é essencial para combater a doença de Chagas. Por exemplo, quando são identificados barbeiros que vivem na proximidade das casas, fazendo colônias nos quintais, em galinheiros e chiqueiros, é preciso acionar equipes para aplicação de inseticida para debelar essas colônias. Por outro lado, quando os barbeiros vivem na mata e voam eventualmente para casas que ficam perto de áreas silvestres, não se pode fazer controle químico, mas pode-se colocar tela nas janelas e diminuir as luzes à noite para não atrair os insetos", explica o chefe do Laboratório Nacional e Internacional de Referência em Taxonomia de Triatomíneos, Cleber Galvão.
O pesquisador ressalta que a população deve se atentar para a presença do inseto e alertar os serviços de saúde. "A vigilância cidadã é muito importante na doença de Chagas. Quem encontrar um barbeiro em casa pode levar o inseto até o posto de identificação de triatomíneos ou até a unidade básica de saúde mais próxima. No Portal da Doença de Chagas, da Fiocruz, também temos a seção Achou um barbeiro?, que recebe fotos do inseto para identificação", orienta Cleber.
O estudo faz parte de projeto de doutorado desenvolvido por Efraim Naftali Lopes Soares, gerente da Vigilância Epidemiológica do município de Caruaru, no Programa de Pós-graduação em Biodiversidade e Saúde do IOC. O trabalho tem orientação de Cleber Galvão.