Por: Laura Mattos (Folhapress)

Dilema: monitorar ou não o celular de idosos?

Mal passou a fase de se preocupar com o que os filhos fazem no mundo digital, a geração sanduíche agora se volta à relação dos pais idosos com a tecnologia.

Esse grupo de adultos de meia-idade é aquele "ensanduichado" entre os cuidados com os filhos e com os pais. E que se depara com dilemas novos na sociedade diante do aumento da longevidade e da disseminação dos smartphones, inclusive entre os mais velhos.

Esse cenário leva as famílias a se preocuparem com perigos como os golpes, os cassinos online e até o vício em smartphones, que rondam qualquer pessoa hoje em dia, e os idosos em particular.

A tecnologia torna-se, portanto, uma camada fundamental do debate sobre como equilibrar o respeito à autonomia dos mais velhos e a necessidade de apoiá-los.

"Muitas famílias acabam tendo de estabelecer um controle parental dos idosos", diz o psiquiatra Rodrigo Machado, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo).

O controle parental, nesse caso, inverte a sua lógica original, que é a do monitoramento que os pais fazem das atividades online dos filhos crianças e adolescentes, para tentar protegê-los de riscos do uso inapropriado.

É um assunto delicado na relação entre os idosos e seus familiares, e, na avaliação de Rodrigo Machado, um profissional da saúde pode ajudar. Tanto para avaliar a necessidade ou não de algum controle parental como para mediar as conversas nas famílias a fim de definir em que momento fazer isso, e como.

"Quando é um idoso mais vulnerável, já apresenta dificuldades visuais, auditivas e, principalmente, tem algum comprometimento cognitivo, costumo recomendar a utilização de aplicativos de controle parental, para os familiares poderem monitorar o que o idoso está utilizando no celular, o tempo de uso etc.", afirma.

"Há ferramentas que implementam barreiras contra os golpes online, por exemplo, que visam muito as pessoas mais velhas. Essa supervisão é importante."

"Quando é um idoso mais vulnerável, já apresenta dificuldades visuais, auditivas e, principalmente, tem algum comprometimento cognitivo, costumo recomendar a utilização de aplicativos de controle parental, para os familiares poderem monitorar o que o idoso está utilizando no celular, o tempo de uso e etc", afirma o psiquiatra e coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da USP.