Um dos maiores desafios epidemiológicos atualmente é entender o fenômeno do aumento dos casos de câncer entre os mais jovens. Associado ao envelhecimento da população, o câncer ganha espaço entre as causas de morte, especialmente em países de renda mais alta, chegando a superar causas como AVC e infarto.
Alguns tumores são especialmente representativos, como os colorretais. Foi esse tipo de câncer que acometeu a cantora Preta Gil, morta em 2025, aos 50 anos, e o ator Chadwick Boseman, estrela de Pantera Negra, morto em 2020, aos 43. Kate Middleton, princesa de Gales, anunciou um diagnóstico de câncer aos 42 anos em 2024, após uma cirurgia abdominal.
Um estudo publicado em 2023 na revista JAMA Network Open analisou 562.145 casos de câncer em pessoas abaixo de 50 anos nos Estados Unidos entre 2010 e 2019.
Foi observado que a incidência de câncer precoce aumentou no período, com crescimento anual de 0,28%. Enquanto isso, entre pessoas acima de 50 anos, a incidência caiu 0,87% ao ano. Os cânceres gastrointestinais tiveram o crescimento mais expressivo 2,16% ao ano.
Outra pesquisa, publicada em outubro de 2025 no periódico, analisou 13 tipos de câncer em 42 países. Houve crescimento de incidência entre pessoas mais jovens na maioria dos países analisados para seis tipos de câncer (tireoide, mama, colorretal, rim, endométrio e leucemia). Em 69% dos países, o crescimento foi maior entre jovens do que entre adultos mais velhos.
Um estudo publicado em outubro de 2025 no periódico Annals of Internal Medicine analisou tendências de 13 tipos de câncer em 42 países entre 2003 e 2017, comparando adultos jovens de 20 a 49 anos e adultos acima dos 50 anos. Para seis cânceres tireoide, mama, colorretal, rim, endométrio e leucemia, houve crescimento de incidência na maioria dos países entre os jovens.
Com exceção do câncer colorretal, aumentos também ocorreram entre os adultos mais velhos. Em 69% dos territórios analisados, o crescimento de câncer colorretal foi maior entre jovens do que entre adultos acima de 50 anos.
No caso do Brasil, não há ainda uma análise que centralize todos os dados e que aponte uma tendência geral, embora alguns estudos evidenciem o crescimento do câncer na população, explica Luís Felipe Martins, chefe da Divisão de Vigilância e Análise de Situação do Inca (Instituto Nacional de Câncer).