O apoio de Donald Trump à tentativa do aliado Javier Milei de reeleger-se presidente da Argentina em 2027 vai além do apoio retórico à demanda de Buenos Aires pelas ilhas britânicas Falkland, conhecidas na região como Malvinas.
O republicano tem sido peça central no projeto do argentino de rearmar seu país, após décadas de baixo investimento e descrédito das Forças Armadas. De caças a blindados, passando por helicópteros e munições, a Argentina vive uma pequena corrida armamentista.
O que não está claro é contra quem, dado que não há rivalidades regionais fora dos discursos inflamados de Milei contra Lula (PT) e em apoio a Flávio Bolsonaro (PL), rival do petista na disputa pelo Planalto.
Com a desaprovação em 58% segundo pesquisa de agosto, o presidente contou recentemente com declarações de Trump em favor da revisão do apoio americano à soberania de Londres sobre as Malvinas, um tema que rivaliza com a seleção de futebol em termos de mobilização na Argentina.
Antes disso, porém, ele já havia começado um processo de rearmamento inédito. O negócio mais vistoso é a compra de 24 caças americanos F-16 usados da Dinamarca, por US$ 300 milhões em cinco anos. O segundo lote de seis aviões deve chegar em breve.
A compra não fará da Argentina uma potência, mas ela não contava com Força Aérea operacional. A aquisição foi fechada com um país europeu, mas Trump poderia ter revisto a autorização de reexportação de material de defesa dada pelo antecessor, Joe Biden. Não o fez.
O republicano e Milei são aliados próximos, e o argentino se encaixa no perfil de líder previsto pela Estratégia de Segurança Nacional de Trump: alguém que compartilha seu ideário populista à direita.
Com efeito, a Argentina é integrante de primeira hora da iniciativa Escudo das Américas, grupo de países criado por Trump.
Ainda mais importante que os caças foi o pacote de até US$ 940 milhões em armamentos e sistemas de apoio, comprados dos EUA. Há dúvidas sobre como esse valor será pago com o país ainda enfrentando uma grave crise econômica.
No ano passado, foi a vez do Exército negociar uma compra direta de oito unidades do avançado blindado sobre rodas Stryker, de largo emprego na Guerra da Ucrânia. Em agosto, assinou acordo para mais 235 unidades, sem custo revelado.
Neste mês, mais uma compra dos EUA: quatro helicópteros Black Hawk por salgados US$ 140 milhões. A expectativa é que sejam, caso a remilitarização de Milei vá em frente, complementados por mais aparelhos.
Menu