Estados Unidos rejeitam cessar-fogo proposto pelo Irã
28 de setembro de 202600:03Redação
Teerã ofereceu reabrir estreito de Hormuz em troca de alívio econômicoCrédito: Reprodução ONU
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no sábado (26) que rejeitou uma proposta do Irã para um cessar-fogo de sete dias. A proposta envolvia a reabertura do estreito de Hormuz durante o período em troca do fim do embargo econômico imposto por Washington e reiniciaria as negociações de paz.
"Rejeito a proposta deles", disse Trump a repórteres do lado de fora da Casa Branca. Os iranianos "querem um acordo para abrir o estreito imediatamente porque estão perdendo terreno de forma espetacular", afirmou o presidente. "Eles querem um acordo, e tudo bem para mim. Eu também gosto de fazer acordos."
Em quase 7 meses de guerra, a posição do americano mudou reiteradamente. A começar pela própria duração do conflito, que Trump prometeu que seria de poucos dias.
Americano ameaça "aniquilação" do Irã
Masoud Pezeshkian diz que Irã não abrirá mão do programa nuclearCrédito: Khamenei.ir via Wikimedia Commons
Em várias ocasiões, o presidente afirmou que estava perto de um acordo com Teerã, para horas depois ser desmentido por autoridades do regime. E sua declarada disponibilidade a fazer acordos contrasta com ameaças também repetidas de aniquilação do Irã.
Segundo autoridades americanas ouvidas pelo Wall Street Journal, o republicano teria dito a assessores que espera retomar os bombardeios contra o rival após as eleições legislativas de novembro.
Nova campanha de bombardeios é "provável"
A proposta de Teerã previa que os EUA suspendessem o bloqueio naval, descongelassem parte dos ativos iranianos e retirassem sanções às exportações de petróleo. Em troca, o Irã reabriria Hormuz e iniciaria negociações sobre seu programa nuclear. Embora diga publicamente que Teerã busca um acordo e defenda o desmantelamento do programa nuclear iraniano, Trump demonstra em privado ceticismo sobre a disposição do país em atender às exigências americanas. O presidente afirmou a integrantes de sua equipe considerar provável novos bombardeios.
Trump reluta em retomar operações militares
Segundo as autoridades americanas ouvidas pelo Wall Street Journal, Trump reluta em retomar operações militares de grande escala, em parte porque Washington pretende preservar munições, cujos estoques estão diminuindo, para outras possíveis situações. As mesmas pessoas afirmaram, porém, que a posição do presidente pode mudar nas próximas semanas e ser afetada pelo resultado das eleições legislativas.
Trump mira eleições
A proximidade das eleições tornou a guerra particularmente sensível para Trump. O conflito, iniciado em fevereiro, é impopular entre os americanos e ajudou a elevar os preços dos combustíveis e o custo de vida, tema central para os eleitores. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta semana mostrou sua aprovação em apenas 32%, a menor de sua carreira política.
Aprovação em baixa
Apenas 24% dos entrevistados disseram aprovar a forma como ele conduz a guerra contra Teerã, enquanto 17% aprovavam sua atuação em relação ao custo de vida.
No mesmo levantamento, 43% dos entrevistados disseram que votariam nos democratas nas eleições legislativas, ante 35% nos republicanos.
Pedido aos apoiadores
O pleito de 3 de novembro definirá o controle do Congresso e pode dificultar a agenda de Trump nos dois últimos anos de seu mandato caso seu partido perca uma das Casas. O presidente tem tentado transformar a votação em uma espécie de referendo sobre seu governo e pediu a apoiadores que ajam como se seu nome estivesse nas cédulas.
Mediadores em cena
EUA e Irã continuam negociando por meio de mediadores, inclusive sobre a questão nuclear, segundo uma autoridade americana. Qatar e outros países da região tentam reativar as conversas e, em uma reunião, o Irã apresentou a ideia da pausa de sete dias nos combates, de acordo com pessoas familiarizadas com as discussões.
Guarda Revolucionária
Mediadores árabes disseram que diplomatas iranianos apresentaram diferentes propostas para encerrar a guerra e reconheceram o agravamento da crise econômica no país. A Guarda Revolucionária iraniana, por outro lado, afirmou que não considera novas fórmulas para um acordo e que está preparada para uma guerra prolongada, segundo o Wall Street Journal.
Negociações continuam
Apesar da troca de acusações, Trump e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, retomaram contatos à margem da Assembleia Geral da ONU. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, reuniu-se com o enviado de Trump Steve Witkoff e com Jared Kushner, genro do presidente. Foram as primeiras conversas diretas entre os dois lados desde o fim de junho.
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