Em primeiro discurso na ONU, Delcy Rodríguez agradece a Trump
25 de setembro de 202600:03Redação
Delcy Rodríguez discursou na sede das Nações Unidas em Nova YorkCrédito: Presidencia de Venezuela
Delcy Rodríguez agradeceu ao presidente Donald Trump e não mencionou Nicolás Maduro, deposto pelo americano e preso na mesma Nova York em que sua então vice discursou pela primeira vez como líder interina da Venezuela, na quarta-feira (23), na Assembleia Geral da ONU.
Em seu discurso, Delcy usou diversas vezes os termos "renascimento" e "reconstrução" para se referir ao processo político do país e disse que a Venezuela terá novas eleições, ideia até aqui já ventilada, mas cujas principais dúvidas são os detalhes e prazos desse pleito, tampouco esclarecidos no discurso.
Delcy anunciou o que chamou de pilares de um processo de reconstrução política do país. Disse que o país começou a revisão suas instituições para fortalecer o Estado. "Que nossos cidadãos não se sintam atropelados por um poder arbitrário, mas que esteja a seu serviço", disse.
Renascimento da Venezuela sem citar Maduro
Nicolás Maduro foi capturado pelos EUA no início do anoCrédito: Reprodução
"A Venezuela vai garantir condições reais para todas as forças políticas do país", afirmou. "A democracia não se mede pela existência de eleições, mas pela qualidade da competição que precede essa eleição. Um pleito deve ser uma solução, não um gerador de conflitos irreconciliáveis."
No último dia 19, a organização de direitos humanos Foro Penal, que acompanha a repressão do regime, afirmou que ainda há 344 presos político no país, 191 deles mantidos sob detenção sem condenação.
Transição democrática no país?
"Não se pode falar em reconciliação nem de uma transição democrática efetiva enquanto existam pessoas privadas de liberdade por exercer seus direitos políticos, discordar ou se manifestar pacificamente", afirmou a Foro Penal em publicação no X. Na tribuna, Delcy relembrou o processo de diálogo político, patrocinado pelos EUA, com parte da oposição. Apenas parte dela porque a principal opositora, María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, não participa do diálogo e tentou voltar à Venezuela por três vezes na terça (22) e foi barrada.
"Povo determinará o momento correto"
"O povo venezuelano, com sua sabedoria ancestral, determinará o momento correto, e suas instituições estarão preparadas para garantir esse processo inclusivo e transparente", disse. Na mesma terça, Delcy se reuniu com Trump pela primeira vez, embora detalhes do encontro não tenham sido revelados. A líder venezuela dedicou parte do seu discurso para elogiar o acordo entre Caracas e Washington relativo ao petróleo venezuelano.
Entreguismo
O acordo é um pacto que, na prática, entrega aos EUA o controle majoritário, via parceria com empresa privada venezuelana, de cerca de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelanos. Delcy chamou o acordo de "um dos maiores jamais assinados e que contribuíra com o equilíbrio energético do hemisfério e da economia internacional".
Relação peculiar
O trato reflete a relação peculiar entre os países hoje. Caracas funciona hoje, sob Delcy, como um Estado tutelado pelo governo Trump. Não à toa, sobraram na fala da venezuelana elogios ao republicano e seu governo, inclusive ao citar pessoalmente Trump ao agradecer a ele por "retomar o caminho das relações diplomáticas e cooperação com a Venezuela".
Aceno a Trump
Após mencionar o secular contencioso com a Guiana sobre o Essequibo, território reivindicado pela Venezuela, a líder fez novo aceno a Trump ao dizer que os acordos que mais perduram são os que nascem de negociações bilaterais, não de organismos externos. Delcy se dirigiu aos jovens e venezuelanos da diáspora para dizer que "vale a pena acreditar de novo".
Momento de voltar
"Para aqueles que se perguntam de que lado está a Venezuela, nosso lado é um só: dos cidadãos do mundo que procuram sua felicidade, seu desenvolvimento e sua liberdade", disse Delcy.
"Este é o momento de construir o país a quem muitos queram voltar, não só aquele de que muitos quiseram fugir", afirmou a venezuelana.
Responsabilidade
"Venho assumir, daqui em diante, uma responsabilidade histórica: de conduzir a Venezuela de uma etapa de incerteza e conflito, a uma etapa de democracia plena, reconhecida por seu próprio povo e pelo mundo", afirmou ela. "Este não é o fim de um discurso, é o começo de um compromisso."
Por Guilherme Botacini (Folhapress)
Netanyahu
Nesta quinta (24), o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu foi discursar na Assembleia Geral da ONU e viu a delegação brasileira deixar o recinto assim que ele começou a falar, em protesto do Brasil ao genocídio cometido em Gaza. Ele disse: "Se há mais covardes morais que ainda não saíram desse salão, por favor, façam isso agora". E outras delegações saíram.
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