Trump ameaça atacar Omã se tentar negociações com o Irã
18 de agosto de 202600:03Redação
Donald Trump ameaçou um país aliado na guerra pela primeira vezCrédito: Molly Reid/ Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda (17) que irá atacar Omã caso o sultanato árabe busque dividir o controle do estreito de Hormuz com o Irã. "Se Omã se meter no caminho, vamos bombardeá-los para c...", disse. A fala presidencial foi relatada pelo jornalista da Fox News Trey Yingst, baseado em Tel Aviv, que é um interlocutor frequente de Trump. É a primeira vez que o republicano ameaça diretamente um país árabe desde que iniciou sua guerra, ao lado de Israel, contra o Irã, em 28 de fevereiro. Até então, Omã era o país que conduzia a mediação entre americanos e iranianos acerca do programa nuclear dos aiatolás.
Quando a guerra começou, o sultanato acabou sendo alvo de ataques retaliatórios dos iranianos, o que gerou surpresa e repúdio no governo local.
Teerã manteve ameaça de atacar quem passar
Hormuz tem menos de 10% do número de embarcações pré-guerraCrédito: NASA/GSFC via Wikimedia Commons
Foram 66 lançamentos de mísseis e drones até o cessar-fogo de 17 de junho e 4 depois. Trump rompeu a trégua após Teerã atacar navios no estreito, por onde passava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, no começo de julho. Ele a retomou por falta de eficácia militar nas ações limitadas. Ao mesmo tempo, manteve um bloqueio naval ao Irã que até o dia 14 desviou 62 navios, desabilitou 3 e abordou 2. Já Teerã manteve a ameaça de atacar quem passar por Hormuz sem pedir permissão e pagar um pedágio por sua carga.
Ameaça a um país aliado contra o Irã
Na prática, o estreito está fechado, registrando níveis mínimos de trânsito. Na semana passada, Teerã disse que esse diálogo era independente de qualquer acordo com os americanos, o que levou à fúria de Trump. Primeiro, ele disse que iria declarar o estreito americano após o fim do conflito. Agora, ameaça um país que até então era aliado no esforço para conter os iranianos. Omã é um país muito limitado do ponto de vista de dissuasão militar, apesar de investir proporcionalmente muito em defesa: 6,3% de seu PIB.
Caminho de negociação direta entre líderes
A fala de Trump pode ser bravata. Ao jornalista da Fox News o presidente também confirmou que existe um relacionamento direto, por canais secretos, entre Washington e a Guarda Revolucionária do Irã, o verdadeiro poder no país. "Eles são bons jogadores de pôquer, mas estão morrendo", disse. Segundo ele, Teerã deveria "levantar a bandeira branca de rendição".
Por Igor Gielow (Folhapress)
Taiwan bate recorde
Taiwan vai elevar seus gastos com defesa no próximo ano, afirmou nesta segunda (17) o presidente Lai Ching-te. Segundo ele, o aumento é um "investimento na paz" e busca reforçar a capacidade de autodefesa da ilha. O governo apresentará na quinta (20) a proposta de orçamento para 2027, detalhando como os recursos serão distribuídos.
Gasto trilionário
Ching-te confirmou que gastos militares superarão pela primeira vez 1 trilhão de dólares taiwaneses (R$ 163 bilhões). O anúncio ocorre em meio à intensificação da pressão militar e política da China, que considera Taiwan, governada democraticamente, parte de seu território. Pequim intensificou recentemente ações para valer suas reivindicações, rejeitada por Taipé.
Pressão dos Estados Unidos
Taiwan também é pressionada pelos EUA para aumentar próprios gastos com defesa, assim como Washington vem pressionando países europeus a elevar os investimentos militares. A divulgação dos gastos ocorreu durante uma reunião sobre o orçamento do próximo ano. O valor destinado à defesa equivale a mais de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).
Ameaça chinesa
"Investir em defesa é investir na paz. Continuaremos a construir uma força de defesa mais sólida para manter a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan e na região", acrescentou Ching-te.
A modernização militar é uma das prioridades do governo de Taiwan, que promete ampliar os investimentos em defesa diante do aumento da ameaça chinesa.
Exercícios militares
As Forças Armadas da China realizam operações quase diárias nos mares e no espaço aéreo ao redor de Taiwan. Pequim também vem aperfeiçoando novas táticas, como patrulhas realizadas pela guarda costeira. Na última semana, Taiwan encerrou os exercícios militares anuais Han Kuang, simulando estratégias para romper um possível bloqueio marítimo chinês.
China repudia exercícios
O Ministério da Defesa da China classificou os exercícios como "farsa dispendiosa" que "alimentou o pânico de guerra". Ching-te também tem resistência no Parlamento de Taiwan, tomado pela oposição. O Legislativo só aprovou o orçamento do ano na última sexta (14). Os principais partidos de oposição afirmam que não darão "cheques em branco" ao governo.
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