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EUA preparam ofensiva terrestre em países aliados da América Latina

EUA preparam ofensiva terrestre em países aliados da América Latina
Pete Hegseth falou sobre combate ao tráfico como terrorismo Crédito: Sgt. Madelyn Keech/ Força Aérea dos Estados Unidos da América

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que as Forças Armadas americanas se preparam para realizar operações no território de países aliados com o objetivo de combater organizações de narcotráfico na América Latina. Trata-se de uma sinalização de que Washington pretende aplicar na região métodos desenvolvidos ao longo de décadas de combate a grupos terroristas no Oriente Médio e em outras partes do mundo -que, em muitos casos, levaram à morte de civis.

Em viagem ao Panamá, Hegseth afirmou que o objetivo é produzir em terra o "mesmo efeito" dos ataques realizados contra embarcações acusadas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico. A oposição e grupos de direitos humanos criticaram essas ações como ilegais.

 

Parceria com Equador e Colômbia

Parceria com Equador e Colômbia
Presidente eleito da Colômbia apoiou iniciativa norte-americana Crédito: Abelardo de la Espriella

Hegseth disse ainda que os EUA trabalham com Equador, Colômbia e outros parceiros para "levar a luta" contra organizações de narcotráfico ao território terrestre. Os Estados Unidos já deram início a ações coordenadas com o Equador em março. No início daquele mês, o governo Trump anunciou operações entre os dois países como um exemplo "contudente do compromisso dos parceiros na América Latina e no Caribe no combate ao flagelo do narcoterrorismo."

EUA fecham parceria com a Colômbia

Porém, os países anunciaram que tinham bombardeado traficantes, mas uma reportagem do jornal The New York Times mostrou que as ações, na verdade, atingiram uma fazenda de gado e laticínios, não um complexo de tráfico de drogas.

Na última quarta-feira (12), os Estados Unidos anunciaram outra parceria, desta vez com a Colômbia, onde o presidente de direita recém-empossado, Abelardo de la Espriella, é alinhado com as políticas de Donald Trump, e enfrenta uma crise causada por um grave terremoto.

País latino vive momento de crise

"Colômbia já solicitou que o Departamento de Guerra [dos EUA] se junte à Colômbia em sua luta contra o narcoterrorismo, autorizando operações militares conjuntas para destruir os terroristas e as redes de terror", afirmou Hegseth, chefe do Pentágono. O anúncio da cooperação marcou a entrada formal do novo governo colombiano no chamado Escudo das Américas, coalizão antidrogas formada por cerca de 20 países da América Latina.

Brasil e México estão fora

Países como Brasil e México estão fora deste grupo. Nesse contexto, o chefe do Pentágono citou apenas países nos quais os EUA já anunciaram operações conjuntas, como a Colômbia, ou já realizaram incursões, como o Equador. E disse que "organizações designadas como terroristas, em conjunto com governos parceiros, serão alvos legítimos do governo dos EUA".

Brasil não concordou

A princípio, isso deixaria de fora o Brasil, que não concordou com a designação do PCC e do CV como organizações terroristas feita pelo governo Trump. A reportagem questionou o Departamento de Defesa se essas operações militares poderiam acontecer em países que não possuem parceria com os EUA, mas não teve resposta.

Guerra ao Terror

Hegseth, em entrevista a jornalistas, disse que "em qualquer lugar em que vocês [grupos terroristas] trafiquem drogas, em que ameacem o povo americano ou nossos parceiros, vocês são um alvo, assim como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda". O secretário disse ainda que Washington pretende aproveitar no Ocidente a experiência militar da Guerra ao Terror.

Kill Chain

Segundo Hegseth, os EUA passaram os últimos 25 anos aperfeiçoando a chamada "kill chain" -expressão militar para identificar, localizar, acompanhar e atacar um alvo- para atingir redes terroristas a milhares de quilômetros do território americano. "Por que não pegamos essas capacidades, com os melhores americanos, e as aplicamos aqui?", disse.

Atuação conjunta

Hegseth disse que a estratégia envolverá atuação conjunta do Comando Sul, responsável pelas operações militares na América Latina e no Caribe, e do Comando Norte, cuja área inclui México, EUA e Canadá. "É uma luta em rede, para a qual damos poder ao Comando Sul e ao Comando Norte, juntos, no Hemisfério Ocidental, para agir de maneira implacável", disse.

Destruição de redes

"Vamos nos aproximar e destruir essas redes usando todas as capacidades do governo americano", completou. A declaração ocorreu um dia após o presidente Donald Trump ampliar outro instrumento de atuação dos EUA contra organizações criminosas transnacionais.

Por Isabella Menon (Folhapress)