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Cuba comemora centenário de Fidel Castro em meio a crise

Cuba comemora centenário de Fidel Castro em meio a crise
Centenário foi celebrado em meio à maior crise desde a revolução Crédito: Bernard Gotfryd, Public domain, via Wikimedia Commons

Cuba comemorou, na quinta (13), o centenário de nascimento de Fidel Castro, líder da revolução que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista em 1959 e instituiu um regime que passa pela sua maior crise desde o levante guerrilheiro, um dos principais do século 20. Morto há dez anos, o revolucionário não viveu para ver os Estados Unidos, sob Donald Trump, aprofundarem o embargo que recai sobre Cuba desde a década de 1960, praticamente colapsando o sistema energético da ilha. Desde o começo do ano, quando a intervenção americana na Venezuela cortou o fornecimento de petróleo de um dos últimos aliados do regime, houve ao menos seis apagões generalizados no país. A crise não impediu a cúpula do Partido Comunista, liderado por Miguel Díaz-Canel e, informalmente, pelo irmão de Fidel, Raúl, de organizar celebrações em homenagem à data.

 

Colóquio "Fidel: Legado e Futuro"

Colóquio "Fidel: Legado e Futuro"
Ilha celebra durante toda a semana os cem anos do revolucionário Crédito: Hyppolyte de Saint-Rambert via Wikimedia Commons

Desde segunda (10), ocorre no Centro de Convenções de Havana o colóquio "Fidel: Legado e Futuro". O evento termina nesta quinta, quando haverá um ato na capital e em Santiago de Cuba, onde os restos do líder revolucionário estão enterrados no Cemitério Santa Ifigenia. Diversas outras nações registram homenagens desde o começo da semana - talvez a mais explícita seja uma figura metálica de 20 metros de altura instalada na segunda pela ditadura de Daniel Ortega em Manágua, capital da Nicarágua.

Celebrações se estenderam pela América Latina

Houve também um mutirão para plantar cem árvores em Caracas, organizado pelo Partido Verde da Venezuela, e uma campanha do Partido Comunista da Argentina para pintar cem murais de Fidel pelo país. Para Arturo Lopez-Levy, professor de relações internacionais e política na Universidade Autônoma de Madri, o mérito de Fidel foi o de construir uma Cuba "com capacidade de dizer não". "Cuba tinha uma relação de dependência grande com os EUA, às vezes funcionava como uma espécie de protetorado. Fidel Castro pôs fim a isso", disse o cubano-americano.

Dependência dos Estados Unidos

A dependência à qual o pesquisador se refere pode ser resumida em um trecho de um depoimento ao Senado de Earl E. T. Smith, embaixador de Washington em Cuba nos anos antes da revolução. "Os EUA, até a ascensão de Castro, exerceram uma influência tão avassaladora que [...] o embaixador americano era o segundo homem mais importante em Cuba", disse o diplomata em 1960.

Por Daniela Arcanjo (Folhapress)

Viés político?

O governo do recém-empossado presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, autorizou a atuação de equipes estrangeiras de busca e resgate de apenas quatro países após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país na segunda (10): EUA, Israel, Equador e El Salvador.Os quatro países têm líderes alinhados ideologicamente ao ultradireitista colombiano.

Bogotá nega

Apesa disso, Bogotá nega que a escolha tenha sido feita por viés político. A decisão foi anunciada mais de dois dias depois do tremor, quando as operações se aproximam do fim da "janela crítica" de 72 horas -período apontado como o mais importante para o resgate de sobreviventes com vida sob os escombros.

Críticas pela demora

A decisão ocorre depois do governo colombiano ser criticado pela demora em aceitar equipes internacionais. Ao explicar a decisão de só aceitar ajuda dos quatro países nas buscas, o diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos e Desastres, David Tamayo, disse que os socorristas cumprem "protocolos internacionais" e que devem atuar junto a equipes locais.

Capacidade técnica

Na mesma conversa com jornalistas, o chanceler colombiano, Omar Bula, afirmou que o governo considerou apenas a capacidade técnica e a certificação internacional das equipes. "Não excluímos absolutamente nenhum país. Em relação às ofertas que nos foram feitas, trabalhamos com países sem qualquer consideração ideológica ou política", afirmou.

Brasil contradiz

Segundo Tamayo, foram escolhidos grupos "totalmente autônomos, [que] não vão demandar recursos adicionais das administrações municipais". Autoridades brasileiras dizem que, sempre que o Brasil envia socorristas a outros países, as equipes são autônomas e não demandam apoio de governos locais, que muitas vezes não têm capacidade após um desastre.

México ofereceu ajuda

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, também afirmou que a Cidade do México não conseguiu enviar suas brigadas militares de resgate devido a entraves burocráticos impostos por Bogotá. Segundo ela, a Colômbia solicitou uma certificação adicional para autorizar a entrada das equipes.

Por Manoella Smith (Folhapress)