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Chanceler da Argentina diz esperar mudança de poder no Brasil

Chanceler da Argentina diz esperar mudança de poder no Brasil
Chanceler Pablo Quirno comentou a crise entre os países vizinhos Crédito: Cancilleria Argentina

Um dia após o Itamaraty rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina, o chanceler do país vizinho disse esperar que o Brasil se una à onda conservadora pela qual a América do Sul passa e confirmou a organização de uma cúpula de líderes de direita da região em Buenos Aires. "A região está mudando sua direção ideológica. Celebramos isso e esperamos que aconteça o mesmo no Brasil", afirmou em entrevista coletiva na quarta (5) o ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno. Ao mencionar o evento na capital argentina, ele atribuiu o avanço da direita na região ao presidente Javier Milei. "Essa liderança foi o que nos levou a ter hoje um grupo de 12 países alinhados com essas ideias e que se apoiam constantemente. Isso provavelmente resultará em um convite do presidente Milei para uma reunião em Buenos Aires assim que as agendas permitirem", continuou.

 

Mudanças na relação entre os dois países

Mudanças na relação entre os dois países
Milei xingou Lula publicamente repetidas vezes na última semana Crédito: Ministério das Relações Exteriores da Argentina

As declarações ocorrem após o Itamaraty dispensar o embaixador argentino em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, e decidir que o representante brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, não voltará ao país vizinho —o diplomata está no Brasil desde 26 de julho, um dia após Milei atacar o presidente Lula durante lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, em São Paulo. O governo decidiu manter a relação no nível de encarregado de negócios após o argentino renovar as ofensas ao petista durante entrevista a uma rádio na última semana.

Milei repetiu xingamentos ao presidente Lula

"Quando respondo com verdades, Lula se sente atacado? Ele é um vigarista e um ladrão. É um condenado", disse o ultraliberal no domingo (2), repetindo o que disse na semana passada. Na entrevista coletiva desta quarta, Quirno repetiu o comunicado da véspera, no qual o Ministério das Relações Exteriores argentino disse que "lamenta a decisão [do Brasil] de continuar se isolando do resto da região por questões puramente ideológicas". "Esta é uma decisão unilateral do Brasil que lamentamos", afirmou.

Diferenças políticas e ideológicas

E continuou: "Houve manifestações de ambos os lados que revelam essas diferenças políticas e ideológicas. A Argentina decidiu não levá-las à arena diplomática; infelizmente, o Brasil tem todo o direito de decidir o que decidiu. Lamentamos isso porque entendemos que há outra maneira de preservar as relações entre nossos países".

Por Daniela Arcanjo (Folhapress)

Mais de 6 mil mortos

O número de mortos nos terremotos que atingiram a Venezuela em junho passou de 6.000, segundo um balanço divulgado pela ditadura venezuelana na segunda (3). Ao menos 6.125 pessoas morreram nos letais tremores, de magnitude 7,2 e 7,5, que atingiram o norte do país, especialmente La Guaira, estado vizinho à capital, Caracas.

Um dos piores da história

O novo boletim foi divulgado pelo presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, irmão da líder interina, Delcy Rodríguez. O balanço anterior, divulgado em 24 de julho, apontava 5.546 mortos. Segundo o governador de La Guaira, José Alejandro Terán, cerca de 1.400 pessoas continuam desaparecidas. O desastre foi um dos piores terremotos da América Latina.

Abrigos temporários

Famílias seguem buscando seus entes desaparecidos e relatam ausência do Estado e troca de cadáveres. Além dos prédios que desabaram, outros 6.433 edifícios foram classificados pelas autoridades como de alto risco para ocupação, enquanto 9.866 receberam a classificação de moradias com uso restrito. Muitos foram encaminhados para abrigos temporários.

Diálogo adiado

Quase 24 mil pessoas vivem hoje em acampamentos em Caracas e em La Guaira. Na sexta (31), o Parlamento aprovou uma lei de locações para ampliar a oferta de imóveis para aluguel e atender parte das milhares de pessoas que perderam suas casas após os terremotos. O diálogo entre Delcy e um grupo de opositores foi adiado para esta semana.

Negociando novamente

Líbano e Israel retomaram, em Roma, negociações mediadas pelos Estados Unidos para tentar implementar o acordo de segurança firmado no fim de junho. O entendimento prevê retiradas graduais das forças israelenses do sul do território libanês e a expansão do controle do Exército do Líbano sobre áreas evacuadas.

Hezbollah rejeita

O Hezbollah voltou a rejeitar o processo, atacou o presidente Joseph Aoun e, pela primeira vez, admitiu a possibilidade de diálogo com as novas autoridades da Síria. Segundo autoridades norte-americanas, os debates devem se concentrar na ampliação das chamadas "zonas-piloto", áreas evacuadas por Israel e progressivamente ocupadas pelo Exército libanês.