CORREIO no mundo

Palestinos fazem funeral de 112 parentes mortos por Israel

Palestinos fazem funeral de 112 parentes mortos por Israel
Ataques de Israel mataram 112 pessoas da mesma família em Gaza Crédito: Reuters/ Folhapress

Palestinos fizeram nesta terça (4) um funeral coletivo para 112 pessoas de uma mesma família em Gaza, cujos corpos foram recuperados dos escombros de um prédio destruído por ataques aéreos israelenses em novembro de 2023, o segundo mês da guerra iniciada com os ataques do grupo terrorista Hamas a Israel. A cerimônia ocorreu no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza. Os corpos, que até o mês passado ainda estavam sob escombros, foram dispostos lado a lado sobre macas em uma área aberta onde antes havia casas. Todos estavam cobertos por bandeiras da Palestina, com fotos dos mortos posicionadas por cima dos panos. Faixas com retratos dos integrantes das famílias Abu Sharia e Al-Hassayna, que formam o clã alvo do ataque, foram penduradas no local. Um cartaz sobre o púlpito usado pelas autoridades trazia a frase "pare o genocídio em Gaza", em inglês.

 

Mais de 8 mil corpos sob os escombros

Mais de 8 mil corpos sob os escombros
40 vítimas de Netanyahu eram crianças, informou uma ONG Crédito: Reuters/Folhapress

Segundo Mahmoud Basal, porta-voz da Defesa Civil de Gaza, as equipes de resgate levaram 17 dias para recuperar os corpos. As vítimas foram identificadas por colares de ouro com seus nomes, por próteses de cirurgias anteriores e por roupas reconhecidas pelos familiares. "Estamos falando de corpos que se decompuseram e foram retirados dos escombros por equipes da Defesa Civil em circunstâncias extremamente difíceis e muito dolorosas. Mas, no fim das contas, ainda há mais de 8.000 corpos sob os escombros até este momento", disse.

Dezenas de corpos eram de crianças

Entre os 112 corpos enterrados, 40 eram de crianças, segundo a ONG Save the Children. A organização se referiu ao funeral como um dos maiores enterros coletivos no território palestino desde o início do conflito. Ahmad Alhendawi, diretor regional da Save the Children para Oriente Médio, Norte da África e Leste Europeu, afirmou que as autoridades israelenses continuam restringindo o acesso de equipes de busca e resgate, além de impedir a entrada de maquinário pesado e equipamentos forenses necessários para localizar os corpos que ainda restam sob os escombros.

Mais de 20 mil crianças mortas desde 2023

"Nenhuma família deveria passar pela dor de perder um filho e, além disso, sofrer a indignidade de não conseguir enterrar seu corpo", disse. Segundo o Unicef, mais de 21 mil crianças foram mortas em Gaza desde outubro de 2023. No último domingo (2), ataques aéreos israelenses continuaram em Gaza mesmo após anúncio americano de um avanço nos esforços para implementar o acordo de cessar-fogo firmado no ano passado.

Irã não quer guerra

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou na terça (4) que o país defenderá seu território, mas que não pretende ampliar a guerra no Oriente Médio, em meio à disputa de versões entre Teerã e Washington sobre as negociações. Segundo a mídia estatal iraniana, Pezeshkian disse que não busca a expansão do conflito com os EUA.

Negociações em curso

Já o chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, reiterou que há negociações em andamento e disse nesta terça que houve avanço nas conversas sobre o estreito de Hormuz.

"Há progresso nas negociações, mas ainda não chegamos a uma conclusão. Esperamos que isso aconteça muito em breve", disse Rubio a jornalistas.

Acordo pode ser feito

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou à CNBC que Washington poderia chegar a um acordo com o Irã para reabrir Hormuz até esta quarta (5). "Estamos em negociações com os iranianos, e acredito que há chances de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo para abrir o estreito e avançar rumo a uma posição mais normalizada neste conflito", disse.

Estreito de Hormuz

Questionado se um acordo permitiria ao Irã cobrar pedágio dos navios, o secretário respondeu: "Acredito que haveria liberdade de circulação". O regime persa afirmou ainda na segunda que conversa com Omã sobre a gestão do estreito de Hormuz. A agência de notícias Reuters ouviu um funcionário de alto escalão do regime iraniano.

Plano temporário

O funcionário afirmou que Teerã negocia um plano temporário para reabrir a via marítima que manteria sob supervisão iraniana o tráfego de navios. Pela proposta em discussão, o Irã controlaria as embarcações que entram no estreito e teria acesso às informações sobre os navios que deixam a região, com poder para intervir se considerar necessário.

Irã flexibilizou exigência

As autorizações de saída seriam emitidas por Omã, após notificação ao Irã. Segundo o funcionário, é improvável que o Irã recue dessa posição. Teerã já teria flexibilizado sua exigência inicial de controlar o tráfego nos dois sentidos da via marítima. Ainda assim, o regime rejeitou, no mês passado, uma proposta de Omã que previa a divisão igual das rotas de navegação.