Drones russos miram socorristas em ataques na Ucrânia
14 de julho de 202600:03Redação
Documento associa uso de drones a ataques de precisãoCrédito: Yuliia Trofimova/MSF
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) divulga nesta segunda-feira (13) um relatório no qual afirma que forças da Rússia têm mirado profissionais de saúde e socorristas em ataques com drones na Ucrânia. O documento, chamado "No Safe Place to Heal" ("Não Há Lugar Seguro para Se Curar", na tradução livre), descreve uma tática que chama de "duplo ataque": uma primeira ofensiva atinge civis ou combatentes, atraindo socorristas para o local; minutos depois, uma segunda ação mira a resposta de emergência e as pessoas reunidas em torno dos feridos.
Segundo a MSF, isso transforma o ato de prestar socorro em um "risco letal" e obriga as equipes médicas a ponderar entre a vida do ferido e a possibilidade de um novo ataque antes de decidir se aproximar do local de um bombardeio.
Casos citados como exemplo pela MSF
Escritório de MSF na região de Donetsk após ataque em 2024Crédito: Yuliia Trofimova/MSF
Um dos episódios citados pela MSF como exemplo dessa prática ocorreu em 1º de fevereiro de 2026, quando um ônibus que transportava civis foi atingido por dois ataques sucessivos nas proximidades de Ternivka, na região de Dnipropetrovsk, no leste da Ucrânia, a cerca de 70 km da linha de frente. Segundo o relato de um cirurgião da organização, cerca de 12 pessoas foram mortas no local. Dos 16 feridos levados ao hospital, 9 foram classificados de "casos vermelhos" — pacientes em risco imediato de morte.
Drones de mira em primeira pessoa utilizados
A organização também relaciona o uso de drones do tipo FPV ("visão em primeira pessoa", que permite ao operador mirar o alvo com alta precisão) a ataques deliberados contra alvos médicos identificados. Um dos casos é o de Andrii Rebrov, diretor de um centro de atenção primária em Lyman, na região de Donetsk, que dirigia um carro "claramente identificado com uma cruz vermelha médica" para entregar medicamentos quando foi atingido por um drone. Rebrov perdeu uma das pernas, e a enfermeira Valentina Kolomatska também ficou ferida.
Falta de distinção entre alvos
Coordenador geral da MSF na Ucrânia, Robin Meldrum afirma à reportagem que o ataque em Lyman ilustra uma tendência que a organização observa in loco há mais de quatro anos. Segundo ele, o que mudou não foi a falta de distinção entre alvos civis e militares, o que ocorre desde o início da guerra, mas o volume de ataques e as táticas empregadas.
Por Luana Lisboa (Folhapress)
Xeque Al Thani
O xeque Hamad bin Khalifa Al Thani, ex-monarca que supervisionou a transformação do Qatar de uma península desértica pouco conhecida no Golfo Pérsico em um país com vasta riqueza e influência global, morreu no domingo (12) aos 74 anos. Sua morte foi anunciada pela corte real, que não especificou a causa.
Qatar virou potência
O país declarou um período de luto público de quatro dias. Hamad é frequentemente descrito como o pai fundador do Qatar moderno.
Quando derrubou seu pai em um golpe sem derramamento de sangue em 1995, o Qatar era rico em gás natural, mas amplamente subordinado à vizinha Arábia Saudita.
Investimentos em gás
Hamad ajudou a inserir uma mentalidade mais independente, com influência política e financeira muito maior do que seu tamanho, antes de passar o poder para seu filho, o atual emir, em 2013. Durante seu reinado, o produto interno bruto do país cresceu 24 vezes, impulsionado por investimentos para desenvolver a indústria de exportação de gás natural.
Gustavo Petro
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, proibiu que seu sucessor, Abelardo de la Espriella, tome posse em uma instalação militar. A legislação do país estabelece que a cerimônia aconteça no Congresso, localizado em Bogotá. Sem maioria própria no Legislativo, o ultradireitista pediu ao Congresso autorização para realizar da cerimônia de posse em um complexo militar.
Troca de poder
A proposta reflete seu discurso linha-dura a favor das forças de segurança e poderá representar mais um embate com Petro desde as eleições. A troca de poder na Colômbia está sendo marcada por desavenças e incertezas após Espriella anunciar a suspensão do processo de transição do cargo em resposta à recusa de Petro em aceitar o resultado do pleito.
Polêmica política
Petro, que foi o primeiro presidente de esquerda do país, anunciou que não permitirá a mudança. "No exercício de minhas faculdades constitucionais e legais, ordeno que nenhum estabelecimento militar sirva para uma posse de um presidente da República", afirmou ele em um post. O ato está previsto para o próximo 7 de agosto.
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