A Colômbia pode dar uma importante guinada política. Pesquisas preliminares indicam que o advogado e empresário Abelardo de la Espriella foi eleito para a Presidência da República. A vitória apertada reforça uma tendência observada em diversos países da América Latina, onde lideranças conservadoras e de direita vêm conquistando espaço nos últimos anos, como ocorreu em El Salvador, Argentina, Equador e Chile.
Aos 47 anos, o advogado assume pela primeira vez um cargo público. Sua campanha foi construída sobre três pilares principais: o discurso antipolítica, o nacionalismo e a defesa de medidas mais rígidas para combater a criminalidade. Ao longo da disputa eleitoral, apresentou-se como uma alternativa à classe política tradicional, frequentemente chamada por ele de "os de sempre", enquanto se colocava como representante dos cidadãos que se sentem excluídos das decisões do poder.
O uso de símbolos nacionais, como a camisa da seleção colombiana, ajudou a fortalecer sua imagem junto ao eleitorado. Ao mesmo tempo, a promessa de endurecer o combate ao narcotráfico e aos grupos armados ganhou força em um momento de crescente preocupação com a segurança pública, tema que voltou ao centro do debate político anos após os Acordos de Paz com as Farc.
A campanha também foi marcada por uma retórica agressiva. Em comícios realizados sob forte esquema de segurança, De la Espriella fez ataques frequentes aos adversários, associando setores da esquerda a organizações criminosas e explorando a polarização política para mobilizar seus apoiadores.
Apesar das controvérsias ligadas à sua trajetória profissional, elas tiveram pouco impacto eleitoral. Durante sua carreira como advogado, ele atuou na defesa de personagens envolvidos em casos de grande repercussão, incluindo paramilitares, empresários acusados de fraudes financeiras e Alex Saab, ex-ministro venezuelano apontado por opositores como operador do regime de Nicolás Maduro.
Outro diferencial de sua candidatura foi a valorização de sua trajetória empresarial. Em vez de esconder sua condição financeira privilegiada, De la Espriella a utilizou como argumento para demonstrar experiência em gestão, contrastando sua atuação no setor privado com a carreira política de seus adversários.
Sua eleição representa não apenas uma alternância de poder, mas também a consolidação de uma nova fase política na Colômbia, alinhada ao avanço de lideranças conservadoras que vêm redesenhando o cenário político da América Latina.
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