Correio da Manhã
Internacional

Hormuz volta ao centro das negociações dos EUA e Irã

Trump afirma que via marítima não terá pedágio; país prevê taxas

Hormuz volta ao centro das negociações dos EUA e Irã
Irã fala em cobrança de taxas; Trump afirma que não terá Crédito: NASA/GSFC via Wikimedia Commons

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (15) que a navegação pelo estreito de Hormuz já está sendo retomada por corredores marítimos e que a travessia ocorrerá sem cobrança de pedágios para embarcações. Segundo o republicano, houve um entendimento sobre o tema e a passagem será gratuita para todos os navios.

Trump ressaltou, no entanto, que a reabertura total da importante rota marítima ainda depende da remoção das minas instaladas pelo Irã. O estreito é considerado estratégico para o comércio internacional e sua situação segue no centro das negociações entre Washington e Teerã.

As declarações do presidente americano contrastam com o posicionamento apresentado mais cedo pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã. Em comunicado, o governo iraniano afirmou que o acordo firmado com os Estados Unidos prevê a cobrança de taxas relacionadas a serviços marítimos para embarcações que utilizarem a via navegável.

De acordo com o porta-voz da chancelaria iraniana, Teerã não pretende estabelecer pedágios de trânsito, mas manterá tarifas referentes a serviços como navegação, proteção ambiental, seguros de navios e outras operações consideradas necessárias para o funcionamento da rota.

O governo iraniano também deixou claro que ainda mantém reservas em relação aos Estados Unidos. A pasta afirmou que existe uma "profunda desconfiança" em relação a Washington, citando um histórico de atos considerados ilícitos por líderes americanos ao longo dos anos.

Durante encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, à margem da reunião do G7, Trump indicou que dificilmente participará da cerimônia oficial de assinatura do acordo com o Irã, prevista para sexta-feira (19), em Genebra. Segundo ele, a representação dos Estados Unidos ficará a cargo do vice-presidente J. D. Vance, cuja presença no evento já estava programada.

Também nesta segunda-feira, Vance reforçou a posição americana sobre Hormuz. Em entrevista à CNBC, afirmou que a expectativa de Washington é que o estreito permaneça aberto a longo prazo e sem cobrança de pedágios. Segundo ele, esse é um dos temas que serão tratados nas negociações técnicas entre os países.

A pressão internacional pela normalização da navegação também ganhou força. Em declaração conjunta divulgada mais cedo, líderes de França, Reino Unido, Alemanha, Japão e Itália defenderam a reabertura imediata e sem condições do estreito.

A União Europeia também recebeu positivamente o acordo entre Washington e Teerã, mas ressaltou que espera medidas concretas para sua implementação. Em Évian, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a prioridade agora é garantir a execução do entendimento e restabelecer plenamente a liberdade de navegação em Hormuz, sem pedágios ou restrições.