Trump levanta dúvidas sobre reeleição de Netanyahu
12 de junho de 202600:01Redação
Partido afirma que Netanyahu concorrerá à reeleiçãoCrédito: Reuters/Folhapress
Binyamin Netanyahu buscará a reeleição este ano, anunciou seu partido nesta quarta-feira (10), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não ter certeza se o primeiro-ministro israelense concorreria novamente. Em uma breve declaração, o partido Likud de Netanyahu afirmou que ele disputará a eleição. O pleito ainda não foi formalmente anunciado, mas deve ser realizado até outubro. Mais cedo, Jonathan Karl, correspondente-chefe da ABC News em Washington, publicou nas redes sociais que Trump havia lhe dito que não sabia se o premiê concorreria. "Não sei, ele teve uma carreira incrível. Será que ele quer continuar?", citou o jornalista, reproduzindo as palavras do presidente.
Coalizão pode ajudar Netanyahu
Trump admitiu ter chamado Netanyahu de malucoCrédito: Reprodução
Pesquisas têm indicado repetidamente que sua coalizão não conseguiria obter maioria na próxima eleição. Uma pesquisa publicada pelo Instituto de Democracia de Israel, sediado em Jerusalém, em 9 de junho, mostrou que 61% do público israelense acredita que ele não deveria concorrer. No entanto, as pesquisas também mostram que uma potencial coalizão de partidos de oposição ficaria aquém da maioria parlamentar, a menos que faça uma aliança com partidos árabes, o que alguns líderes da oposição descartaram.
Relação firme, mas sob tensão
Autoridades americanas e israelenses afirmam que Trump e Netanyahu, que iniciaram juntos a guerra contra o Irã em fevereiro, ainda mantêm uma relação próxima, embora ela tenha passado por momentos de tensão, inclusive nas últimas semanas, quando Trump exigiu que Israel reduzisse a ação militar no Líbano enquanto Washington negocia um acordo de paz com Teerã.
Chamou de maluco
Na semana passada, Trump admitiu ter chamado Netanyahu de "maluco de merda" em um telefonema exaltado, embora também tenha dito que eles se dão bem. Ele tem repetidamente pedido ao presidente de Israel que conceda perdão a Netanyahu pelas acusações de corrupção pendentes, que ele nega.
Irã
A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) aprovou na última quarta-feira, dia 10 de junho, uma resolução exigindo que o Irã permita a verificação de seu estoque de urânio enriquecido e que permita o acesso total de inspetores do órgão independente da ONU a suas instalações nucleares.
Inspeções
Texto semelhante no ano passado já pedia o retorno de inspeções, mas a verificação do inventário de urânio dos iranianos é uma novidade. A representação de Teerã nas Nações Unidas protestou contra a decisão, aprovada por 21 dos 35 membros do conselho executivo da AIEA. Outros dez Estados se abstiveram.
Tensão
A Venezuela, porém, está com direito suspenso de voto por débito, e três foram contra —Rússia, China e Níger. O Brasil foi um dos que se abstiveram, mantendo a posição do governo Lula de proximidade com a teocracia e de crítica a soluções de pressão no Oriente Médio. A resolução eleva ainda mais a tensão entre Washington e Teerã.
Disputa
A resolução foi proposta pelos EUA com apoio de Reino Unido, França e Alemanha. Washington e Teerão buscam uma solução diplomática para a crise no Oriente Médio que, travada, tem deslizado para novas trocas de ataques. O programa nuclear iraniano está no centro da disputa com os EUA desde a década passada.
Urânio
Em 2015 um acordo foi firmado para evitar que os aiatolás obtivessem a bomba atômica e limitassem seu enriquecimento de urânio por 15 anos. Em seu primeiro mandato, Trump deixou o arranjo. O Irã aos poucos voltar a enriquecer urânio.
Por Igor Gielow (Folhapress)
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