Correio da Manhã
CORREIO NO MUNDO

G7 abre cúpula sob pressão por promessas não cumpridas

G7 abre cúpula sob pressão por promessas não cumpridas
Presidente da França, Emmanuel Macron Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O G7 desembarca em Évian, na França, carregando um desempenho inferior ao registrado nas últimas cúpulas. Segundo relatório do G7 Research Group, organização acadêmica vinculada à Universidade de Toronto, os países do grupo cumpriram 80% dos compromissos assumidos em Kananaskis, no Canadá, em 2025. Embora o índice seja considerado elevado, ele revela uma desaceleração importante na capacidade de entrega do bloco. Nas duas reuniões anteriores, os resultados foram superiores: 92% em Apúlia, em 2024, e 96% em Hiroshima, em 2023. O estudo avaliou 20 dos 148 compromissos firmados e analisou o período entre junho de 2025 e junho de 2026. O documento foi divulgado justamente quando os líderes iniciam a nova cúpula.

 

Europa na liderança

A União Europeia apareceu no topo do ranking de conformidade, com 95% de cumprimento das promessas feitas em Kananaskis. O Canadá, anfitrião da cúpula de 2025, ficou logo atrás, com 93%, seguido pelo Reino Unido, com 90%. Na outra ponta, o Japão registrou o pior desempenho, com apenas 65%. França e Estados Unidos empataram em 73%, resultado que coloca Paris sob pressão justamente no momento em que assume a presidência rotativa do grupo.

Consenso e divergências

Consenso e divergências
Líderes reunindos na Cúpula do G7 Crédito: Divulgação/@emmanuelmacron

Nem todos os temas enfrentaram a mesma dificuldade. Áreas como tecnologia quântica, biodiversidade, infraestrutura de qualidade e controle de fronteiras para migrantes alcançaram 100% de conformidade entre os membros do G7. O cenário muda, porém, quando entram em pauta assuntos mais sensíveis. As maiores divergências surgiram justamente em temas nos quais interesses econômicos e estratégicos se chocam, revelando os limites do consenso entre as principais potências do planeta.

Dívida expõe divisões

O maior sinal de alerta veio do compromisso relacionado às dívidas dos países em desenvolvimento. A conformidade média foi de apenas 56%, uma das mais baixas do relatório. Os Estados Unidos não cumpriram nenhuma das medidas avaliadas. França, Alemanha, Itália, Reino Unido e União Europeia registraram cumprimento parcial, enquanto Canadá e Japão foram os únicos a alcançar nota máxima no tema.

Permanência

Mesmo após o acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, Israel informou, que manterá tropas por tempo indeterminado no sul do Líbano. A decisão, segundo a imprensa internacional, gerou críticas dentro e fora do governo de Binyamin Netanyahu, que enfrenta questionamentos sobre a eficácia do entendimento.

Alerta

Netanyahu afirmou que a ação conjunta de EUA e Israel contra o Irã evitou uma possível ameaça nuclear. Segundo ele, milhões de israelenses estariam expostos ao risco de morte em massa caso Teerã avançasse em seu programa atômico. A declaração reforça a narrativa do governo de que a ofensiva foi decisiva para a segurança.

Pressão

O governo israelense reiterou que não permitirá que o Irã desenvolva armas nucleares, independentemente de acordos internacionais. Netanyahu também garantiu a permanência de tropas em áreas estratégicas do Líbano, Gaza e Síria pelo tempo considerado necessário. A medida sinaliza que a presença militar permanecerá.

Condenação

O filho da princesa herdeira da Noruega, Marius Borg Hoiby, de 29 anos, foi condenado hoje em Oslo a quatro anos de prisão. Em um escândalo que abalou profundamente a monarquia, o tribunal o considerou culpado por dois estupros e outras 32 infrações penais. Uma das agressões sexuais ocorreu em 2018 dentro da própria residência oficial.

Absolvição

Embora a promotoria exigisse sete anos e sete meses de reclusão, a sentença final fixou-se em quatro. Hoiby, que está sob custódia policial desde fevereiro, acabou absolvido de outras duas denúncias de abuso sexual semelhantes, mas responderá por direção perigosa, ameaças graves e posse ilícita de substâncias.

À distância

Fora da linha de sucessão oficial e sem emprego formal, ele negou veementemente ter abusado de mulheres inconscientes. Seus advogados pleiteavam só 18 meses de pena. Hoje, o réu não compareceu presencialmente ao tribunal, optando por acompanhar o desfecho de seu julgamento via internet.