Mega-ataque russo a Kiev deixou ao menos 4 mortosCrédito: Reuters/ Folhapress
A Rússia promoveu um dos maiores ataques aéreos contra a Ucrânia nos mais de quatro anos de guerra contra o vizinho na madrugada deste domingo (24), empregando pela primeira vez o supermíssil Orechnik contra um alvo próximo de Kiev.
Ao menos 4 pessoas morreram e outras 80 ficaram feridas na ação, descrita pelo Ministério da Defesa russo como uma retaliação pelo bombardeio que matou 21jovens em um dormitório estudantil na região ocupada de Lugansk, no leste ucraniano, na sexta (22).
"Foi uma noite terrível em Kiev", disse o prefeito da capital ucraniana, Vitali Klitschko, no Telegram. A cidade foi o foco da ação russa, que envolveu 90 mísseis e 600 drones.
Modelo Orechnik foi utilizado
O escopo do ataque, em termos de equipamento, foi inédito. Houve o lançamento de ao menos um Orechnik, míssil balístico de alcance intermediário disparado apenas em outras duas ocasiões no conflito, em novembro de 2024 e em janeiro deste ano. O supermíssil foi desenhado para conflitos nucleares: ele pode levar múltiplas ogivas, que fazem sua reentrada na atmosfera em velocidades hipersônicas indefensáveis, na prática.
Míssil desenhado para guerra atômica
Putin escalonou tensão no continente europeuCrédito: Reuters/Folhapress
No caso dos ataques contra a Ucrânia, foram usadas ogivas sem explosivos, que causam destruição apenas por sua força cinética. Neste domingo, o alvo foi Bila Tservka, 64 km a sul de Kiev, mas houve relatos não confirmados de um segundo ataque contra a capital. O uso do Orechnik, cujo nome significa a árvore aveleira em russo, é também uma sinalização para a Europa, que está tentando mediar uma solução diplomática para a guerra que favoreça o governo de Volodimir Zelenski. Na semana passada, a Rússia fez o maior exercício nuclear desde a Guerra Fria.
Exercícios na semana passada
O exercício trouxe a Rússia disparando mísseis estratégicos, que visam ampla destruição, e táticos, mais restritos ao campo de batalha —estes foram lançados em conjunto com a aliada Belarus, que faz fronteira com membros da aliança ocidental Otan. A ideia era demonstrar força aos europeus, ao americano Donald Trump e até ao aliado Xi Jinping, líder chinês visitado por Vladimir Putin no mesmo período.
Padrão de ameaça
O Orechnik se encaixa no padrão de ameaça, pois pode atingir qualquer capital europeia em questão de minutos com suas múltiplas ogivas.
Os europeus passaram recibo: o premiê alemão, Friedrich Merz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, criticaram a ação e a chamara de escalada.
Kaja Kallas
Para a chefe da diplomacia do bloco continental, a estoniana Kaja Kallas, o uso do míssil "é uma tática política de intimidação e demonstração de imprudência nuclear". Segundo a Defesa russa, foi usado também quase todo o arsenal operacional de armas hipersônicas de Putin: o míssil ar-terra Kinjal (punhal, em russo).
Leste Europeu
Além do Tsirkon (zircão), disparado de baterias costeiras Bastion que foram posicionadas em terra no sul russo. Também foram empregados mísseis balísticos Iskander-M, os mesmos testados nos jogos de guerra nuclear. Com alcance de 500 km, o modelo está posicionado em Belarus, mirando todo o Leste Europeu até Berlim.
Putin pressionado
Apesar de recursos oriundos do relaxamento das sanções ocidentais contra a venda de petróleo russo devido à crise no Oriente Médio disparada pela guerra de Trump contra o Irã, Putin está pressionado na Ucrânia. Sem avanço decisivo, algo que vinha sendo vendido por seus generais, suas forças têm sofrido derrotas na linha de frente —que segue congelada.
Fazer a paz
Na última semana, houve até um raro momento de dissenso crítico na Rússia, quando um proeminente especialista geopolítico alinhado ao Kremlin, Vitali Kachin, publicou um novo artigo na revista "Rússia nos Assuntos Globais" dizendo que Vladimir Putin deveria fazer a paz imediatamente.
Fim definitivo
Segundo Kachin, não há condições para nenhum dos lados ganhar a guerra de forma definitiva, e assim o melhor negócio para o Kremlin seria contentar-se com os 20% que já conquistou da Ucrânia e forçar a neutralidade militar do vizinho num acordo.
Por Igor Gielow (Folhapress)
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