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Cuba aceita ajuda de US$ 100 milhões dos Estados Unidos

Cuba aceita ajuda de US$ 100 milhões dos Estados Unidos
Rubio diz que acordo pacífico não é provável no momento Crédito: Reprodução/ X @netanyahu

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta quinta (21) que o regime de Cuba aceitou a ajuda de US$ 100 milhões oferecida pelo governo de Donald Trump à ilha caribenha. O regime liderado por Miguel Díaz-Canel já havia sinalizado durante a última semana que avaliava aceitar a oferta americana. Segundo a imprensa dos EUA, Trump ofereceu o dinheiro com a contrapartida de que este será repassado à Igreja Católica, que será, portanto, a responsável por ele no território cubano. Ainda não estão evidentes outras possíveis contrapartidas que o acordo entre os países engloba. Apesar disso, Rubio afirmou que a probabilidade de um acordo pacífico e negociado entre os países não é alta nesse momento.

 

Acordo, porém, não está próximo

Segundo ele, os EUA sempre preferem a solução pacífica. Sem detalhar que tipo de acordo se referia, porém, afirmou: "Sendo honesto, a probabilidade de isso acontecer, considerando com quem estamos lidando agora, não é alta. Mas se eles mudarem de ideia, estamos aqui. E, enquanto isso, continuaremos fazendo o que for necessário". Rubio, filho de imigrantes cubanos, havia publicado um vídeo em que oferecia o dinheiro como "novo caminho" ao povo cubano.

Chanceler cubano critica Rubio

Chanceler cubano critica Rubio
Bruno Rodríguez chamou Marco Rubio de mentiroso Crédito: Cancillería Ecuador via Wikimedia Commons

Mais tarde nesta quinta, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que Rubio está provocando uma agressão militar e falsamente classificando Cuba de Estado patrocinador do terrorismo. "As mentiras do secretário de Estado dos EUA novamente instigam uma agressão militar que provocaria o derramamento de sangue cubano e americano", afirmou.

O chanceler disse ainda que Havana não é um ameaça à segurança dos EUA e acusou Washington de provocar intencionalmente o colapso econômico na ilha.

Ameaça à segurança nacional

O governo Trump fez a oferta após meses de crise generalizada em Cuba, que sofre com falta de combustíveis e, consequentemente, de energia elétrica. Os EUA impuseram um bloqueio de petróleo em janeiro que agravou a situação econômica e humanitária da ilha. Washington afirma que a ilha representa uma ameaça à segurança nacional.

Por Gabriel Barnabé (Folhapress)

China repudia EUA

A China denunciou o "abuso dos meios judiciais", depois que os Estados Unidos indiciaram, na quarta-feira, o ex-líder de Cuba Raúl Castro pela derrubada de dois aviões em 1996. "Os Estados Unidos deveriam parar de brandir o bastão das sanções e o bastão judicial contra Cuba e parar de ameaçar com o uso da força a cada passo".

Raúl Castro

"A China sempre se opôs firmemente às sanções unilaterais ilegais, que carecem de fundamento no direito internacional e se opõe ao abuso dos meios judiciais. Se opõe às pressões exercidas por forças externas contra Cuba, sob qualquer pretexto", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês Guo Jiakun.

Soberania

"A China apoia firmemente Cuba na defesa de sua soberania e dignidade nacionais e se opõe à interferência externa", acrescentou. Raúl Castro, 94, foi indiciado pelo assassinato de quatro pessoas, conspiração para matar cidadãos americanos e destruição de aeronaves em 1996, quando era ministro da Defesa do regime cubano.

Rússia reprova

A Rússia também expressou sua reprovação à ação americana. "Acreditamos que a pressão exercida sobre Cuba não pode ser tolerada. Acreditamos que, sob nenhuma circunstância, tais métodos —métodos de violência— devem ser usados contra ex-chefes de Estado ou chefes de Estado em exercício", disse Dmitri Peskov. "Não aprovamos isso", acrescentou.

Itamaraty

O Itamaraty convocou a chefe da embaixada de Israel no Brasil, Rasha Athamni, para cobrar explicações sobre o vídeo em que ativistas aparecem com as mãos amarradas e as testas apoiadas no chão.

Quatro brasileiros fizeram parte da flotilha, que foi interceptada pelas forças de Tel Aviv no mar Mediterrâneo.

Indignação

A publicação, que mostra o tratamento dado a estrangeiros que integravam uma flotilha com destino à Faixa de Gaza, foi feita pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, o extremista Itamar Ben-Gvir, e provocou uma avalanche de críticas internacionais.

Por Ricardo Della Coletta (Folhapress)