CORREIO NO MUNDO

Xi diz a Putin que mundo corre risco de retornar à 'lei da selva'

Xi diz a Putin que mundo corre risco de retornar à 'lei da selva'
Xi Jinping, líder chinês, teve reunião com Vladimir Putin Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil

Em declaração conjunta durante o encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta quarta-feira (20), o líder do regime chinês, Xi Jinping, afirmou que o mundo corre o risco de retornar "à lei da selva".

"Os danos causados por ações unilaterais e pela hegemonia são sem precedentes, e a ameaça à regressão à lei da selva é iminente", declarou. Sem citar nominalmente os Estados Unidos, ao qual a China busca fazer contraponto, os dois líderes defenderam a multipolaridade e novas formas de relações internacionais.

Xi já havia dito algo similar no mês passado, ao receber o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed al-Nahyan.

 

Pautas estratégicas debatidas

Na ocasião, em um dos comentários mais duros acerca da crise no Oriente Médio até então, o líder chinês disse que não se pode "permitir que o mundo volte à lei da selva". O encontro entre Xi e Putin ocorreu por ocasião dos 25 anos do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa e da comemoração do 30º aniversário das relações estratégicas, e foram tratadas pautas como energia, economia e defesa.

China e Rússia repudiam intimidação

China e Rússia repudiam intimidação
Presidente russo quer reforçar sua parceria com a China Crédito: Reuters/Folhapress

Xi, na cerimônia de assinatura dos atos, afirmou que Rússia e China são contra "toda intimidação unilateral e ações que revertam a história". Putin declarou que os dois países desempenham um papel estabilizador nas relações internacionais e estão comprometidos com uma independente e soberana política externa. Os líderes exaltaram os avanços em sua "parceria abrangente" e criticaram o projeto para a criação de um sistema antimísseis americano. O "Domo Dourado", proposto por Donald Trump, é, segundo Xi e Putin, um risco à estabilidade estratégica.

Parceria entre Pequim e Moscou.

A fala faz eco à busca chinesa de se projetar como pivô global da diplomacia mundial em meio às guerras na Ucrânia e no Irã ao apresentar a visita de Putin como o exemplo de que o país está emergindo como "ponto focal da diplomacia global". Putin busca reafirmar a já conhecida e próxima parceria entre Pequim e Moscou.

Por Victoria Damasceno (Folhapress)

Raúl Castro

O ex-líder cubano Raúl Castro, 94, foi indiciado pelo governo dos Estados Unidos nesta quarta-feira (20) por seu suposto envolvimento na derrubada de dois aviões civis pela Força Aérea de Cuba em 1996. Ele enfrenta quatro acusações de homicídio e duas de destruição de aeronave, segundo documentos judiciais do caso.

Espionagem

Segundo o Departamento de Justiça do governo Donald Trump, Raúl Castro ainda conspirou para matar cidadãos americanos. Outras cinco pessoas também aparecem como rés no caso. A denúncia foi apresentada em um tribunal federal de Miami. As acusações estão relacionadas à Rede Vespa.

Díaz‑Canel protesta

O atual líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que o indiciamento é uma "manobra política, desprovida de qualquer fundamento legal". Já o secretário de Justiça interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou que a Casa Branca espera que Castro compareça ao país "por vontade própria ou de outra forma para ir para a prisão".

"Estado pária"

Trump disse que Cuba é um "Estado pária que abriga forças militares estrangeiras hostis" e enquadrou as ações de seu governo em relação à ilha como parte de um esforço mais amplo para expandir a influência dos EUA na região. Também disse que o indiciamento de Castro era um "momento muito grande", mas que não haverá uma escalada das tensões.

"Uma bagunça"

"Das praias de Havana às margens do canal do Panamá, expulsaremos as forças da ilegalidade, do crime e da ingerência estrangeira", afirmou. "Eu não acho que seja necessária [uma escalada]. O lugar [Cuba] está caindo aos pedaços. É uma bagunça, e eles meio que perderam o controle", disse Trump.

"Novo caminho"

Também na quarta, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ofereceu à população de Cuba um "novo caminho" em um pronunciamento em espanhol. Filho de cubanos, ele prometeu US$ 100 milhões (cerca de R$ 503 milhões) em alimentos e medicamentos e defendeu uma nova relação entre os países.