O Hezbollah propôs uma trégua de uma semana a Israel a partir das 0h desta quinta-feira (16). A medida, anunciada pela TV ligada ao grupo fundamentalista xiita libanês Al-Mayadeen, será analisada pelo gabinete de Binyamin Netanyahu, segundo a mídia israelense.
Mantendo a tradição de negociar com pressão, o governo israelense disse que irá manter suas posições no sul do Líbano, o qual vem desocupando para criar uma zona tampão de sua fronteira até o rio Litani, que fica a uma distância máxima de 30 km do território israelense.
A região, disse o ministro Israel Katz (Defesa), é uma "zona da morte" para o Hezbollah, que historicamente ataca o norte israelense a partir de cidades e posições montanhosas por lá. O grupo já foi o mais poderoso preposto do Irã no Oriente Médio, mas está enfraquecido.
Segundo a Al-Mayadeen, a trégua foi informada por Teerã, que busca esticar o prazo de seu próprio cessar-fogo com os Estados Unidos - que lançaram uma guerra ao lado de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. O Hezbollah não chegou a divulgar comunicado.
Os combates cessaram na semana passada, mas o prazo dado por Donald Trump para um acordo acaba na próxima terça (21). O Irã recebeu uma delegação liderada por Asim Munir, chefe militar do Paquistão, país que sediou a primeira e inconclusa rodada de negociações com os EUA, para enviar nova proposta de conversa com os americanos.
Segundo a agência Bloomberg, Teerã quer adiar em pelo menos duas semanas o fim da trégua. Na mesa estão itens espinhosos, como a manutenção de sua capacidade de produzir urânio enriquecido, que os EUA querem ver suspensa para evitar o risco de uma bomba atômica, e a livre navegação no estreito de Hormuz, ora obstruída por um duplo bloqueio iraniano-americano.
Já Netanyahu não incluiu o Hezbollah, grupo fundado em 1982 na esteira da ocupação do Líbano por Israel que durou até 2000, no cessar-fogo. Os fundamentalistas atacaram o Estado judeu logo depois do início da guerra atual.
Tel Aviv promoveu uma ação dupla. Primeiro, lançou os mais duros ataques contra o vizinho logo depois da trégua com o Irã, matando mais de 300 das cerca de 2.000 pessoas morta no conflito até aqui em um só dia.
Segundo, abriu negociações diretas com o Líbano pela primeira vez desde 1993, mas excluindo o Hezbollah. Na quarta (14) houve a primeira rodada de conversas, com mediação dos Estados Unidos, em Washington.
Para o Líbano, é uma oportunidade única, ainda que em meio à tragédia de ter visto a maior perda de moradores em proporção populacional neste conflito - foram 3.500 ataques ao Hezbollah por Israel até o momento.