Com uma exortação pelo fim das guerras, o Papa Leão XIV desejou "boa Páscoa" em diversos idiomas, durante missa celebrada no Vaticano neste domingo (5), quando pediu que líderes mundiais "escolham a paz".
"Feliz Páscoa. Levai a todos a alegria do Senhor ressuscitado [Jesus Cristo] presente entre nós", afirmou o papa em português, em sua mensagem Urbi et Orbi, à Cidade de Roma e ao Mundo. Outras línguas utilizadas pelo pontífice foram o italiano, inglês, alemão, espanhol e chinês.
Ele recordou que "a Páscoa é uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio".
"Uma vitória a um preço muito alto", disse o pontifice, acrescentando que "Cristo, o Filho do Deus vivo, teve de morrer, e morrer numa cruz, depois de ter sofrido uma condenação injusta, de ter sido ridicularizado e torturado, e de ter derramado todo o seu sangue. Como verdadeiro Cordeiro imolado, tomou sobre si o pecado do mundo e assim nos libertou a todos do domínio do mal, e conosco também a criação".
"Mas como é que Jesus venceu? Com que força derrotou de uma vez para sempre o antigo adversário, o príncipe deste mundo? Com que poder ressuscitou dos mortos, não regressando à vida anterior, mas entrando na vida eterna e abrindo assim, na sua própria carne, a passagem deste mundo para o Pai"? Perguntou o Papa.
"Esta força, este poder é o próprio Deus, Amor que cria e gera, Amor fiel até o fim, Amor que perdoa e resgata. Cristo, o nosso Rei vitorioso, travou e venceu a sua batalha através do abandono confiante à vontade do Pai, ao seu desígnio de salvação", disse Leão XIV, lembrando que, assim, Jesus "percorreu até o fim o caminho do diálogo, não com palavras, mas com obras: para nos encontrar a nós, que estávamos perdidos, fez-se carne; para nos libertar a nós, que éramos escravos, fez-se escravo; para nos dar vida a nós, mortais, deixou-se matar na cruz".
"A força com que Cristo ressuscitou é completamente não violenta. É semelhante à de um grão de trigo que, ao decompor-se na terra, cresce, abre passagem pelas leivas, germina e transforma-se numa espiga dourada. É ainda mais semelhante à do coração humano que, ferido por uma ofensa, rejeita o instinto de vingança e, cheio de piedade, reza por quem o ofendeu", disse ainda Leão XIV.
Ele prosseguiu: "Irmãos e irmãs, esta é a verdadeira força que traz a paz à humanidade, porque gera relações respeitosas a todos os níveis: entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, as nações. Não visa o interesse particular, mas o bem comum; não pretende impor os próprios planos, mas contribuir para os conceber e concretizar em conjunto com os outros".
Milhares de fiéis compareceram à Praça de São Pedro para acompanhar a missa, que teve cantos, um sermão de Leão XIV e diversas referências à ressurreição de Jesus Cristo. O local foi decorado com cerca de 60 mil flores, dispostas em fileiras à frente do púlpito principal utilizado pelo papa. Esta foi a primeira missa pascal que Leão XIV celebra desde que virou papa, há cerca de 11 meses.
Em seu sermão, Leão XIV pediu que "aqueles que têm o poder de desencadear guerras escolham a paz", e criticou a "indiferença" diante dos conflitos e das milhares de mortes.
A fala foi mais um apelo do pontífice contra as guerras no mundo. Há uma semana, disse que "Deus não ouve orações de líderes que promovem guerras", o que foi tido como um recado ao governo dos EUA em meio ao conflito no Oriente Médio contra o Irã.
Milhões de católicos ao redor do mundo celebram a Páscoa neste domingo. Segundo a liturgia, a data marca o dia da ressurreição de Jesus Cristo. A missa no Vaticano concluiu um ciclo de cerimônias no Vaticano para marcar a data. Durante os ritos, Leão XIV carregou a cruz durante toda a procissão de Via Crucis em Roma, gesto inédito desde a década de 1970, e também rezou deitado no chão para celebrar a Paixão de Cristo.