Por: Por Folhapress

Trump sugere que países comprem seu petróleo

O presidente Donald Trump afirmou nesta terça-feira (31) que países que não ajudaram os Estados Unidos na guerra contra o Irã deveriam comprar petróleo americano ou ir ao estreito de Hormuz e pegar o óleo por conta própria.

O americano citou os aliados Reino Unido e França, também membros da Otan, como pouco colaborativos no conflito, que já dura mais de um mês.

O estreito de Hormuz, por onde escoa 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, está praticamente fechado desde o início do conflito, causando uma disparada no preço do barril mundialmente. Agora, Teerã quer impôr uma espécie de pedágio para navios que voltem a passar pela rota marítima, enquanto ainda mantém o veto a embarcações americanas e israelenses.

"A todos esses países que não conseguem obter combustível de aviação por causa do estreito de Hormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na 'decapitação' do Irã, tenho uma sugestão: primeiro, comprem dos EUA —nós temos de sobra. Segundo, criem um pouco de coragem tardia, vão até o estreito e simplesmente peguem", escreveu o presidente em sua rede social.

"Vocês vão ter que aprender a lutar por si mesmos. Os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá por nós. A parte difícil já foi feita. Vão buscar o próprio petróleo", disse.

Em outro post, Trump criticou a França por não deixar que aviões com destino a Israel, carregando suprimentos militares, sobrevoassem o território francês. "A França tem sido MUITO INÚTIL", escreveu Trump, em suas habituais maiúsculas. "Os EUA vão SE LEMBRAR", completou.

O gabinete do presidente Emmanuel Macron afirmou que ficou surpresa com as declarações. "A Franã não mudou sua posição desde o primeiro dia", afirmou a Presidência, em um comunicado.

Aliados desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA e o Reino Unido têm uma cooperação de longa data em defesa e no compartilhamento de informações de inteligência. Desde o início do conflito, porém, Trump vem reclamando da falta de apoio do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

Num primeiro momento, o governo do premiê trabalhista vetou o uso de bases aéreas para eventuais ataques ao Irã, o que levou Trump a fazer queixas públicas. Sob pressão, Starmer recuou e disse que permitiria o uso de suas bases para o que chamou de "ataques defensivos".

O chefe de governo britânico tenta adotar uma postura pragmática em relação ao seu partido e à opinião pública, que tende a ver com cautela o envolvimento com guerras no Oriente Médio após o alinhamento total de Tony Blair à invasão do Iraque pelos EUA, em 2003.