"Como sabem, circularam nos últimos dias relatos sobre possíveis contatos entre Cuba e o governo dos Estados Unidos. Consideramos apropriado informar à nossa população que, de fato, ocorreram intercâmbios entre autoridades de ambos os governos."
Com o anúncio televisionado na sexta (13), o líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, admitiu que o regime está falando com o governo de Donald Trump após três meses de bloqueio de petróleo, o que levou a ilha a um colapso energético.
Do lado dos EUA, as tentativas de oposição ao governo têm sido fracas. Nesta sexta, o senador democrata Tim Kaine apresentou uma proposta legislativa baseada no War Powers Act (Lei de Poderes de Guerra) para impedir que o governo Trump realize ações militares ou bloqueios navais contra Cuba sem a devida autorização do Congresso — prática que o republicano tornou comum.
Já na perspectiva de Havana, há uma crise que já dura mais de cinco anos e combina instabilidade econômica, escassez de remédios e apagões frequentes. Isso tudo em um momento em que não há nenhum aliado no horizonte que possa salvar a ilha, como ocorreu, por exemplo, quando a Venezuela recém-chavista do final dos anos de 1990 se tornou um dos principais patrocinadores do regime após o colapso da União Soviética.
Atualmente, aliados como Irã e Rússia estão preocupados com suas próprias guerras, enquanto a China não parece interessada em comprar esta briga com a Casa Branca. Já Caracas, que acudiu em socorro há mais de 20 anos, está impedida de enviar petróleo à ilha após os EUA atacarem o país no início de janeiro.
Logo após a operação na nação sul-americana, Trump deixou suas intenções claras em uma entrevista coletiva. "Cuba é uma nação em falência, e queremos ajudar os cubanos, assim como aqueles que foram forçados a deixar o país", afirmou.
As importações da Venezuela eram essenciais ao país, que produz menos da metade do petróleo de que necessita. No fim de janeiro, sob pressão de Washington, o México também suspendeu as remessas de combustível à ilha. Desde então, Cuba vive uma deterioração acelerada. Nas semanas seguintes, Trump passou a afirmar que um acordo com Havana seria iminente, repetindo que o regime estaria desesperado. Mas os detalhes do plano do governo americano ainda não foram esclarecidos.
Segundo o USA Today, pessoas próximas à gestão indicam que um acordo econômico poderia ser anunciado em breve, envolvendo relaxamento de restrições de viagem, além de negociações sobre portos, energia e turismo —medidas que não exigiriam aprovação do Congresso e têm o potencial de desagradar a quem espera mais do que apenas uma abertura econômica.
Por Isabella Menon e Daniela Arcanjo (Folhapress)