Contrariando os resultados de eleições recentes na região, a esquerda, liderada pelo presidente Gustavo Petro, se impôs na corrida legislativa deste domingo (9) na Colômbia, mostrando-se competitiva para a disputa da Presidência, em 31 de maio.
Com quase a totalidade dos votos apurados, o Pacto Histórico, partido de Petro, obteve a maioria no Senado e se manterá como uma das principais forças na Câmara dos Deputados, onde será necessário formar alianças para ter a maioria.
Com quase 99% das apurações concluídas, a esquerda se fortaleceu, seguindo o êxito das eleições de 2022, que trouxeram Petro ao poder como o primeiro presidente ex-guerrilheiro do país. Pela Constituição colombiana, o atual presidente não pode buscar um novo mandato.
Os colombianos renovaram as 103 cadeiras no Senado e as 183 cadeiras na Câmara dos Representantes para o período de 2026 a 2030, em um sistema eleitoral que combina circunscrições nacionais, territoriais e especiais.
De acordo com os dados preliminares, que ainda serão confirmados pela autoridade eleitoral, o Pacto Histórico conquistou 25 cadeiras (22,7%) no Senado para a próxima legislatura, que começa em 20 de julho, ou seja, quatro cadeiras a mais do que alcançou em 2022, ano em que Petro venceu a Presidência.
Em seguida, aparecem como principais forças: Centro Democrático (15,6%, com 17 vagas), Partido Liberal Colombiano (11,7%, com 13) e, Aliança pela Colômbia (9,8%, com 11).
O ex-presidente Álvaro Uribe, que chegou a ser condenado no ano passado, mas foi absolvido meses depois, ocupava a 25ª posição na lista do Centro Democrático para o Senado e não conseguiu se eleger.
Na Câmara, o cenário é mais favorável para a centro-direita, ainda que nenhuma força tenha conquistado a maioria, com o Centro Democrático com 13,53% dos votos, seguido pelo Partido Liberal Colombiano (11,13%) e o Partido Conservador (10,4%). O Pacto Histórico obteve 4,8%, sendo a quarta força mais votada.
Um relatório da organização Directorio Legislativo, que acompanha processos democráticos na América Latina, aponta que a fragmentação legislativa deve continuar, levando o próximo presidente a negociar com outros partidos para aprovar leis.
A instituição lembra que o governo de Petro enfrentou dificuldades, com apenas 2 de suas 15 propostas de reformas aprovadas no último ano, e previa um fortalecimento da candidatura de esquerda, com uma reação do governo nos próximos meses.
"O governo poderia acelerar medidas econômicas, como o aumento do salário mínimo, e promover projetos mais radicais, como a reforma constitucional", aponta a organização.
Por Douglas Gavras (Folhapress)