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Em promessa de novos ataques, Trump chama Irã de 'perdedor'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o Irã de "perdedor do Oriente Médio" e prometeu continuar a ofensiva iniciada há uma semana até que a nação se renda ou entre em colapso.

A declaração foi dada em resposta direta ao presidente do Irã. Masoud Pezeshkian pediu desculpas neste sábado (7) aos países vizinhos que foram afetados pela retaliação iraniana após o ataque conjunto dos EUA e de Israel que matou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no último sábado (28).

Pezeshkian disse também que o conselho provisório de liderança suspendeu os ataques a países do golfo Pérsico, medida que Trump atribuiu como sendo resultado dos bombardeios realizados por Washington e Tel Aviv.

"Essa promessa só foi feita por causa do ataque implacável dos EUA e de Israel. [...] É a primeira vez que o Irã perde, em milhares de anos, para países vizinhos do Oriente Médio", escreveu na Truth Social. "O Irã não é mais o 'valentão do Oriente Médio', mas sim o 'perdedor do Oriente Médio', e continuará sendo por muitas décadas, até se render ou, mais provavelmente, entrar em colapso total", acrescentou.

Em sua declaração neste sábado, o presidente americano afirmou que o Irã será atingido com "muita força". "Estão sob séria consideração para destruição completa e morte certa, por causa do mau comportamento do Irã, áreas e grupos de pessoas que não eram considerados como alvos até este momento", disse Trump.

Mais tarde, enquanto falava a repórteres a bordo do Air Force One, o republicano disse não esperar que os curdos entrem no conflito. "Não estamos olhando para os curdos irem [à guerra] porque não queremos fazer uma guerra mais complexa do que já está."

Nesta semana, o jornal The Washington Post afirmou que Trump havia oferecido "ampla cobertura aérea dos EUA" e outros tipos de apoio para que curdos iranianos assumissem o controle de partes do oeste do Irã. Eles estão entre os maiores opositores do regime e são um dos principais alvos da violenta repressão do Estado persa.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou neste sábado que o país tem o controle "quase total" do espaço aéreo sobre Teerã, prometendo manter os ataques.

Em pronunciamento na TV, no qual fez um balanço da operação até o momento, Netanyahu anunciou que Israel manterá "com toda a força" suas operações de ataque ao rival. "Temos um plano metódico, com muitas surpresas, para erradicar o regime e permitir a mudança. Temos muitos outros objetivos, que não detalharei aqui."

Trump disse que ainda não determinou quanto a guerra vai durar e que "não tem indicação de que a Rússia está apoiando o Irã" —o Kremlin teria apoiado o regime iraniano com informações sobre alvos americanos na região. Na sexta (6), Pezeshkian conversou com o russo Vladimir Putin e, de acordo com a mídia estatal iraniana, afirmou ter expectativas de que Moscou apoiasse Teerã.

Horas depois do pedido de desculpas feito por Pezeshkian aos países vizinhos, o Exército iraniano afirmou que continuará atacando alvos militares dos EUA e de Israel em toda a região.

"Após as declarações do presidente, as Forças Armadas declaram mais uma vez que respeitam a soberania nacional dos países vizinhos e que não realizaram nenhuma agressão contra eles", diz o comunicado. Mas, "caso as ações hostis anteriores continuem, todas as bases e interesses militares" dos EUA e de Israel "em terra, mar e ar" em toda a região serão os "alvos principais".

Em discurso televisionado neste sábado, Pezeshkian disse que Teerã não se renderá aos EUA nem a Israel: "Os inimigos levarão ao túmulo o desejo de que o povo iraniano se renda".

Também neste sábado, o chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, disse à TV estatal que a ofensiva lançada por Washington e Tel Aviv visava desintegrar o país e despertar insurgências, mas que os objetivos dos rivais fracassaram e que os iranianos estão unidos. "Os EUA queriam transformar o Irã em outra Venezuela", afirmou, em referência à captura do ditador Nicolás Maduro e consequente continuação do regime em Caracas tutelado por Washington.

Ainda durante o voo no Air Force One, Trump também afirmou a repórteres que os EUA "destruíram os navios da Marinha, a Força Aérea e mísseis" do Irã, além de terem diminuído a capacidade de uso de drones dos adversários.

O americano acusou o próprio Irã de ser responsável pelo bombardeio de uma escola na cidade de Minab, no sul do país, e questionou a "precisão" das autoridades militares iranianas.

"Pelo que vi, isso foi feito pelo Irã", afirmou. Nem os EUA nem Israel admitiram ter realizado o ataque. Uma análise do jornal The New York Times ligou a ação, em que morreram ao menos 175 pessoas, principalmente crianças, a ação dos EUA.

Por Folhapress