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Trump diz que novos líderes iranianos querem diálogo

Bombardeios americanos, israelenses e iranianos podem estar em vias de cessar-fogo | Foto: Daniel Torok/ Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse à revista americana The Atlantic neste domingo (1º) que os novos líderes iranianos querem conversar e que ele concordou com a ideia. "Eles querem conversar, então eu concordei e vou falar com eles", afirmou. O republicano não especificou com quem conversaria nem se o diálogo ocorreria ainda neste domingo.

Ele também disse à emissora Fox News que 48 líderes foram mortos nos ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã, neste sábado (28). "Está avançando rapidamente. Tem sido assim há 47 anos. Ninguém consegue acreditar no sucesso que estamos tendo, 48 líderes foram eliminados de uma só vez", disse.

Já para o canal CNBC, Trump anunciou que operações militares contra o Irã estão "adiantadas".

Trump afirmou que algumas das pessoas envolvidas nas recentes negociações com os Estados Unidos faleceram. "A maioria dessas pessoas já se foi. Algumas das pessoas com quem estávamos lidando também já se foram, porque aquilo foi um grande golpe", disse em entrevista à Atlantic. "Eles deveriam ter feito isso antes. Poderiam ter chegado a um acordo. Deveriam ter feito isso antes. Jogaram sujo demais."

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que um conselho composto por ele próprio, o chefe do judiciário e um membro do Conselho dos Guardiões assumiu temporariamente as funções de líder supremo após a morte do aiatolá Ali Khamenei.

Em vídeo transmitido pela TV estatal neste domingo, Pezeshkian afirmou que as Forças Armadas "deixarão os inimigos sem esperança". A composição do chamado Conselho de Liderança Interina também foi confirmada e já iniciou os trabalhos, segundo o presidente. O órgão ocupará as funções de Khamenei até a escolha de um sucessor, o que ocorrerá quando for reunida a Assembleia dos Peritos, com 88 membros.

Além de Pezeshkian, integram o conselho o aiatolá Alireza Arafi, um dos 12 membros do central Conselho dos Guardiões, e o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei. Não há um prazo estimado para o processo de escolha, que é opaco.

Com a morte do presidente radical Ebrahim Raisi em um obscuro acidente de helicóptero em 2024, Khamenei ficou sem sucessor óbvio. A partir dali, a especulação era de que um dos filhos do aiatolá, Mojtaba, hoje com 56 anos, seria o nome escolhido.

Ocorre que ser líder supremo não é um direito hereditário, e outros nomes surgiram, a maior parte do estamento religioso mais conservador. Trump chegou a dizer que "tinha um nome em mente" para liderar o Irã, mas presume-se que ele conte primeiro com a queda do regime.

Por Folhapress

 

Guerra acontece também nos mares

Novas imagens de satélite revelam porta-aviões dos EUA em posição estratégica no Mar Arábico (U.S. Navy photo by Lt. j.g. Will Harris) | Foto: U.S. Navy photo by Lt. j.g. Will Harris, via WC

O Irã atacou um porta-aviões dos Estados Unidos neste domingo (1º), dia em que a guerra entre os dois países e Israel se espalhou pelos mares do Oriente Médio. Os americanos anunciaram ter afundado nove navios de Teerã, que também atingiu ao menos três petroleiros no estratégico estreito de Hormuz.

O anúncio americano foi feito pelo presidente Donald Trump. "Vamos atrás dos demais —eles também logo estarão no fundo do mar! Em outro ataque, destruímos grande parte do quartel-general da Marinha deles", disse.

A ação de Teerã mais dramática foi aquela contra o porta-aviões USS Abraham Lincoln, que participa da guerra operando no mar Arábico, perto de Omã.

Segundo a unidade de elite Guarda Revolucionária, quatro mísseis foram lançados contra o navio, um dos 11 da frota americana de porta-aviões. As forças de Trump disseram que os projeteis "não chegaram nem perto" da embarcação.

Durante os combates com os rebeldes pró-Irã do Iêmen, porta-aviões americanos tiveram de ser defendidos por suas escoltas e caças diversas vezes contra drones e mísseis, mas nunca houve um impacto.

Além do Lincoln, a guerra é apoiada pelo grupo do porta-aviões USS Gerald R. Ford, que está na costa mediterrânea de Israel.

Pouco antes, dois incidentes mostraram que a guerra está ativa no estreito de Hormuz. Primeiro, um petroleiro de bandeira de Palau foi atingido por um projetil perto da costa de Omã, deixando quatro feridos e forçando a evacuação da embarcação.

Depois, o site de rastreamento marítimo Marine Traffic anunciou que outro petroleiro, o MKD Vyon, também foi atingido na região, deixando um morto. O navio tem bandeira das ilhas Marshall, país que tem uma associação especial com os EUA. Um terceiro petroleiro foi alvejado também nas proximidades dos Emirados.

Não longe dali, no golfo de Omã, o Centcom (Comando Central das Forças Armadas dos EUA, no acrônimo em inglês) anunciou que havia afundado um navio de guerra iraniano, a corveta Jamaran. Os outros afundamentos citados por Trump não foram detalhados, e Teerã não os comentou.

Comprovando o ambiente de risco elevado, o Marine Traffic apontou que cerca de 150 petroleiros e navios de transporte de gás natural liquefeito baixaram suas âncoras em águas territoriais de países do golfo Pérsico antes de seguir viagem pelo estreito, que tem apenas 40 km de largura no seu ponto mais apertado.

Outras 100 embarcações estão na costa de Omã, do lado da saída do estreito para o oceano Índico. No sábado, a missão marítima da União Europeia na região alertou que navios estavam sendo ameaçados por rádio pela Guarda Revolucionária do Irã, país com 16 instalações militares na região.

Ainda não houve uma ordem formal de fechamento do estreito, mas tudo indica que as empresas transportadoras não estão querendo pagar para ver. O impacto da situação depende de sua extensão e duração, mas é inevitável uma alta dos preços futuros do petróleo, com efeitos inflacionários potenciais no mundo todo.

Por Igor Gielow (Folhapress)