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Antonio Seguro é o presidente de Portugal

António José Seguro, candidato da esquerda e quadro histórico do Partido Socialista, venceu de lavada as eleições deste domingo (8) e será o próximo presidente de Portugal.

Com 98,6% das urnas apuradas, o político que se apresenta como "democrata, progressista e humanista" tinha cerca 66,6% dos votos válidos, superando com facilidade André Ventura, do partido ultradireitista Chega, com 33,4%.

A projeção da abstenção é entre 42 e 48%. No primeiro turno foi 47,7%. Isso significa que não houve um número significativo de pessoas que deixaram de votar.

Ventura reconheceu a derrota minutos depois da divulgação das primeiras projeções. "Desejo que Seguro seja um bom presidente porque os portugueses precisam", afirmou o candidato do partido Chega. "Espero poder liderar o espaço da direita a partir de agora." Já Seguro, que deve discursar mais tarde, disse apenas: "Meu objetivo é servir ao meu país. O povo português é o melhor povo do mundo".

Alguns municípios em estado de calamidade pública devido às chuvas que atingem Portugal só vão às urnas na semana que vem. Eles respondem, no entanto, por menos de 1% dos votos. As apurações no resto do país seguirão normalmente.

A vitória de Seguro encerra um paradoxo. No primeiro turno, candidatos identificados com a esquerda obtiveram cerca de 35% dos votos, enquanto os contendores à direita somaram mais de 50%. Como foi possível, nesse contexto, a vitória de um quadro histórico do Partido Socialista?

A resposta pode estar numa pesquisa da Universidade Católica Portuguesa realizada na semana anterior à eleição. Para a maior parte dos entrevistados, tratava-se não de uma disputa entre esquerda e direita, mas entre moderados e extremistas.

Venceu Seguro, um socialista moderado não apenas na atuação política, mas também no sobrenome e no slogan de campanha "Futuro Seguro". O ultradireitista Ventura, que prometia sacudir Portugal com um "abanão", ficou pelo caminho.

Seguro encarna igualmente uma demanda por previsibilidade. "Até recentemente os eleitores portugueses estavam acostumados a governos estáveis, onde moderados de direita e de esquerda se alternavam e cumpriam seus mandatos até o final, mas isso mudou depois da pandemia", diz André Santos Pereira, professor de comunicação política na faculdade ISCTE e diretor-associado da consultoria Political Intelligence.

Seguro é visto como alguém que só dissolveria o Legislativo em último caso. "Ele é um político oriundo da esquerda que conversa bem com a direita", afirma Santos Pereira. Os portugueses apostam numa convivência pacífica entre Seguro e o premiê Luís Montenegro, que governa à frente da Aliança Democrática, uma coligação de centro-direita.

Por João Pedro de Lima (Folhapress)