Por Igor Gielow (Folhapress)
Delegações da Rússia, Ucrânia e Estados Unidos farão neste fim de semana, nos Emirados Árabes Unidos, o primeiro encontro conjunto para tentar resolver a guerra iniciada por Vladimir Putin contra seu vizinho. O anúncio foi feito na quinta (22) pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, após encontro com Donald Trump às margens do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Até aqui, houve encontros bilaterais entre os três países.
Após ter dito que Zelenski era o principal fator impedindo um acordo de paz, Trump passou a bola para Vladimir Putin após a reunião. "O encontro foi muito bom. A mensagem para Putin é: a guerra tem de acabar", disse brevemente a repórteres o americano.
A atual rodada promovida pelos EUA para buscar um arranjo de paz, a terceira desde que Trump voltou ao poder há um ano, estava emperrada, mas agora parece ter encontrado um novo ímpeto.
Ainda nesta quinta, o enviado especial do presidente para a guerra, Steve Witkoff, e seu genro Jared Kushner irão a Moscou para um encontro com Putin. Em Davos, ambos se encontraram com uma delegação ucraniana e com o negociador russo Kirill Dmitriev.
Em sua fala em Davos, Zelenski voltou a cobrar unidade na Europa em sua defesa, repetindo a ideia de que a guerra irá ultrapassar suas fronteiras se não acaba. E ainda questionou o comprometimento dos EUA com a Otan, remetendo à crise atual na qual Trump exige o controle da dinamarquesa Groenlândia.
"Se Putin decidir tomar a Lituânia ou atacar a Polônia, quem irá responder? Hoje, a Otan existe graças à crença de que os EUA vão agir, que não ficarão de lado e irão ajudar. Mas e se não?", disse, de forma desassombrada, o presidente.
O embate mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial completará quatro anos daqui a um mês e dois dias. O momento é de violentos ataques russos durante o pior inverno da história recente, deixando milhares sem aquecimento e energia. "Esta é a cara da guerra", disse Zelenski.
Mais cedo, Trump havia dito que "logo acabaremos com outra guerra" ao fantasiar a ideia de que o Oriente Médio está livre de conflitos com o lançamento de seu Conselho da Paz, destinado a tratar do futuro da arruinada Faixa de Gaza.
O americano falou que a região estava pacificada, mas ao mesmo tempo monta uma grande força militar para ameaçar e talvez atacar o Irã, cujo regime está pressionado por protestos de rua.
Nas discussões ocorridas em Davos, estava na mesa a versão a ser levada ao Kremlin do acodo de paz proposto por Trump. Ele nasceu a partir de um texto desenhado por Witkoff e Dmitriev que adotava praticamente todos os pontos desejados por Putin.