Por Igor Gielow e Isabella Menon (Folhapress)
Em meio a escalada de tensões em busca da Groenlândia, o presidente dos EUA, Donald Trump, chega ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça. No início do discurso, na tarde desta quarta-feira (21), o presidente provocou países europeus e disse que eles deveriam seguir o que os Estados Unidos estão fazendo em termos econômicos.
"Alguns lugares na Europa, francamente, não são mais reconhecíveis. Vocês podem discutir, mas é isso. Meus amigos voltam da Europa e dizem que não reconhecem. Eu amo a Europa e quero ver a Europa ir bem, mas [o continente] está indo na direção errada", disse Trump.
Segundo o republicano, nos últimos anos houve um consenso em Washington e na Europa de que a única forma de impulsionar uma economia seria com gastos governamentais e uma política de imigração.
"O consenso era que os chamados 'trabalhos sujos' e indústria pesada deveria ser mandada para fora e que a energia acessível deveria ser substituída pela máfia da energia verde", disse o presidente em tom de crítica.
Os ataques ao continente acontecem logo após o presidente descrever resultados positivos da economia americana.
"Os Estados Unidos está no caminho mais rápido de crescimento da história do país", afirmou. O republicano reiterou que as pessoas estão "muito felizes" com ele. "Quando os EUA vai bem, o mundo vai bem, quando vai mal, todos caem."
Na terça (19), o FMI estimou crescimento de 2,4% no PIB dos EUA em 2026, um aumento de 0,3 ponto percentual em relação às projeções anteriores.
O republicano, em diferentes momentos, se gabou pelos bloqueios e ter desmantelado usinas de energia renovável nos EUA. Também criticou por diversas vezes a política migratória da Europa e reforçou suas políticas migratórias.
Esta é a primeira ida de Trump a Suíça em seis anos. No início do discurso, o republicano agradeceu a presença e brincou que estava diante de amigos e inimigos no evento. Antes de embarcar ao evento, o republicano afirmou em entrevista a jornalistas que imaginava que seria um interessante momento e que não fazia ideia o que poderia esperar do evento.
Na véspera da aguardada fala do republicano, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, falou no evento e pediu que os países europeus evitassem qualquer tipo de retaliação diante da empreitada de Trump de assumir o controle da ilha de domínio dinamarquês e pediu que os aliados tivessem a mente aberta sobre o tema.
"Digo a todos: acalmem-se. Respirem fundo. Não revidem. O presidente estará aqui amanhã e transmitirá sua mensagem", disse Bessent. O americano afirmou que as tarifas devem ser entendidas como um instrumento de negociação e não como um ataque direto à Europa.
"O uso de tarifas tem sido uma forma eficaz de levar países à mesa de negociação em temas estratégicos", afirmou o secretário.
Groenlândia
Mas o momento de maior tensão foi quando Trump disse que não quer usar a força para tomar a Groenlândia, mas começar negociações imediatas para ter a posse do território autônomo que a Dinamarca diz não estar à venda.
Ele fez a afirmação no seu esperado discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça). Ele comentava sua investida sobre a ilha ártica, que novamente chamou de um ativo indispensável parar a segurança dos EUA em caso de um conflito com a Rússia ou a China. "Qualquer guerra seria travada lá", disse.
"Tudo o que eu peço é um pedaço de gelo. É bem menos do que recebemos ao longo dos anos. Nós demos à Otan muito, e não recebemos nada de volta", disse Trump sobre a Otan, aliança militar ocidental criada pelos EUA em 1949, da qual a Dinamarca é membro fundador.
O republicano lembrou que os EUA ocuparam a ilha quando os nazistas tomaram a Dinamarca, em 1940, devolvendo o território a Copenhague ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. "Foi estúpido", disse Trump, dizendo que "a Dinamarca foi ingrata".
Em 1946, a Casa Branca tentou comprar a ilha, mas a proposta foi rejeitada pelos europeus. "Só queremos esse pedaço de gelo. Se vocês aceitarem, vamos gostar. Se não, vamos nos lembrar", afirmou, depois de negar que a ação vise minar a Otan.