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Conselho da Paz mira líderes de países em guerra

O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que o premiê foi convidado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para fazer parte do Conselho de Paz dedicado à reconstrução da Faixa de Gaza, segundo o jornal israelense Times of Israel. O gabinete de Netanyahu ainda não se pronunciou publicamente sobre o assunto.

O presidente americano enviou o convite a líderes de diversos países, incluindo o presidente Lula e o argentino Javier Milei, além do russo Vladimir Putin.

Segundo o porta-voz Dmitri Peskov, Moscou está analisando a proposta. A Rússia é alvo de críticas da comunidade internacional por ter violado a soberania da Ucrânia ao invadi-la em 2022, num conflito que completa quatro anos no próximo mês e é o mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Auxiliares do governo preparam avaliações sobre a entrada do Brasil no órgão. O plano atraiu inicialmente críticas de Netanyahu, que disse que o anúncio não foi coordenado com Tel Aviv e que a iniciativa vai na direção oposta à política adotada por seu país -Israel é particularmente contrária à breve citação à estabilização de Gaza como parte de um caminho crível para a criação de um Estado palestino.

Além de liderar a reação israelense após os ataques do Hamas no dia 7 de outubro de 2023, Netanyahu tem sido duramente criticado dentro e fora de Israel por haver mantido o conflito em andamento para ganhos políticos e para evitar o andamento de processos de que é alvo no país.

O premiê também tem um mandado de prisão aberto contra ele no Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra que teriam sido cometidos, segundo a corte, justamente em meio às ações israelenses no território palestino, cuja reconstrução é o objetivo do conselho de Trump.

A criação do órgão faz parte da segunda fase do plano de paz dos EUA para o território palestino, destruído após mais de dois anos de guerra e bombardeios israelenses.

No plano de 20 pontos divulgado por Trump que deu início ao cessar-fogo ora vigente, o órgão integrado por outros integrantes e chefes de Estado e será presidido pelo próprio presidente americano. O conselho "estabelecerá a estrutura e administrará o financiamento para a reconstrução de Gaza até que a Autoridade Palestina conclua seu programa de reformas", segundo a proposta.

Há poucos detalhes claros sobre o funcionamento do conselho. Segundo as agências Bloomberg e AFP, o governo Trump pretende exigir o pagamento de ao menos US$ 1 bilhão dos países que desejem um assento permanente no grupo. As decisões seriam tomadas por maioria, com direito a um voto para cada Estado-membro, mas todas dependeriam da aprovação final do presidente americano.